O que são opções – conceitos

Muitas vezes, me pergunto por que nos preocupamos tanto com o futuro... Por que nos apegamos tanto a bens materiais e, especialmente, ao dinheiro? Empregamos frequentemente pronomes possessivos para designar os objetos: minha casa, meu carro, meu telefone celular. E a força desse pronome é proporcional ao seu custo de aquisição. Cada um sabe do seu sacrifício para adquirir um bem.

A verdade é que estamos sempre em busca de garantias. E se eu quebrar? E se eu for roubado? E se eu ficar doente? Quando eu deixar essa vida, quem vai cuidar da minha família? Para atender a essas demandas, compramos planos de saúde e de aposentadoria, seguros de vida, seguro contra roubo de objetos, contra incêndio da casa, garantias estendidas para aparelhos domésticos... Tudo isso na tentativa de mantermos a tranquilidade ao saber que, se algo acontecer, nosso prejuízo será pequeno. Em caso de doença, temos o direito de sermos cuidados por médicos e internados em hospitais de nossa preferência. Se o celular quebrar, temos o direito de solicitar o conserto ou, até mesmo, receber um novo. Se o carro for roubado, temos o direito de receber o valor correspondente de volta. Entretanto, garantias não são livres de ônus, pois, para que tenhamos essa tranquilidade, alguém toma o risco por nós e cobra um preço por isso. É por essa razão que usamos o termo comprar um seguro, ou em outras palavras, comprar o direito de receber o dinheiro de volta, caso meu carro seja roubado ou meu aparelho de telefone celular apresente defeito.

Além do valor desembolsado para comprar esses direitos, há mais três ônus embutidos:

– Há um prazo máximo pré-determinado para que o segurado exerça seu direito;

– Caso isso não aconteça nesse prazo, o dinheiro empregado não será devolvido;

– O segurado não pode revender seu direito a terceiros. Pode, no máximo, solicitar o cancelamento do seguro e receber o valor correspondente ao tempo restante, caso o bem seja vendido durante a vigência do seguro. No entanto, somente a Seguradora pode efetuar essa devolução.

Trocando em miúdos: ao comprar um automóvel, compramos também um seguro para evitar que tenhamos um prejuízo enorme em caso de roubo ou danos. Esse seguro não dura para sempre e precisa ser renovado anualmente. Se nada acontecer no período segurado, o dinheiro empregado na compra do seguro não é devolvido. E, mesmo que o automóvel seja vendido durante a vigência do seguro, o segurado não pode revender o restante do tempo. No máximo, pode cancelar o seguro e receber de volta o valor proporcional ao tempo restante.

Mas, afinal, onde entram as Opções nessa história?

Imagine que um trader compre ações PETR4 a R$25,00 acreditando na alta dos preços, mas quer limitar seu prejuízo, em caso de queda. Será que há um seguro contra queda de preços? Da mesma forma que há um seguro contra roubo, contra defeitos, contra incêndio, contra acidentes, existe também uma forma de fazer um seguro contra queda de preço. Esse trader pode simplesmente comprar um direito de venda de ações a R$25,00. Como assim? Se o preço da ação cair abaixo de R$25, o trader simplesmente faz uso do seu direito de vender a ação por esse valor. Funciona exatamente igual a qualquer seguro. O trader paga por esse direito e tem uma data limite para fazer uso. Se não fizer, perde o dinheiro usado para comprar.

Mas, por que motivos alguém venderia um direito venda, sabendo que, se o preço da ação cair, será obrigado a comprar mais caro do que está cotado no mercado?

Antes de responder, vamos imaginar outra situação, em que o trader deseja comprar PETR4 a R$25, mas não tem o dinheiro naquele instante. De que forma ele pode garantir um preço de compra? Comprando um direito de compra! Da mesma forma que no direito de venda, o trader pagará um valor por esse direito e também terá uma data limite para fazer uso dele. Caso contrário, perderá o dinheiro pago.

E por que alguém venderia um direito de compra, sabendo que corre o risco de vender ações por um preço mais baixo que no mercado?

Vamos entender algumas razões para que se vendam direitos, sejam eles de compra ou de venda. Por qual motivo uma seguradora vende seguros? Obter lucro para que nada aconteça. Como assim? Ora, se eu compro um carro e faço um seguro contra roubo e, no período de vigência do seguro, não acontece nenhum roubo, eu perco o dinheiro pago à seguradora.

Vender direito de venda é outra forma de garantir um preço de compra de ações. Só que, ao invés de comprar um direito de compra, um operador A vende um direito de venda, recebendo o dinheiro. Por exemplo: o operador A deseja comprar PETR4 a R$23,00. Para tal, ele vende por R$0,60 – por exemplo – um direito de venda a um operador B, que passa a ter o direito de vender ações PETR4 a R$23. No dia do vencimento, se PETR4 estiver com preço acima de R$23, nada acontece e o operador A fica com os R$0,60 recebidos. Por quê? Porque não faz sentido o operador B fazer uso de seu direito e vender ações a R$23, sendo que no mercado as ações estão sendo negociadas com preços acima. Mas, se PETR4 estiver com preço abaixo de R$23, o operador A será exercido e obrigado a comprar as ações por R$23.  Como destacado, o operador A atingiu seu objetivo.

Vender direito de compra, por sua vez, é uma forma de garantir um preço de venda para as ações. Ao invés de pagar por um direito de venda, um operador C vende um direito de compra. Por exemplo: digamos que o operador C deseja vender ações PETR4 a R$27,00. Ele vende por R$0,50 – por exemplo – um direito de compra a um operador D, que passa a ter o direito de comprar ações por R$27. No dia do vencimento, se o preço de PETR4 estiver abaixo de R$27, nada acontece e o operador C fica com o dinheiro recebido.  Por quê? Porque não tem sentido o operador D fazer uso de seu direito e comprar ações por R$27, sendo que essas ações estão sendo negociadas a preços mais baixos. Mas, caso PETR4 esteja acima de R$27, o operador C será exercido e obrigado a vender as ações por R$27. E, como destacado acima, o operador C atingiu seu objetivo.

Isso tudo parece confuso... Quem vende direito de venda quer comprar... Quem vende direito de compra quer vender... Sim, é verdade. Causa bastante confusão no início, mas é possível amenizar essa confusão se começarmos a dar "nomes aos bois". Direitos de compra e de venda são conhecidos como Opções. E por que têm esse nome? Vamos voltar lá no seguro do carro! Quando eu comprei o carro, comprei um seguro contra roubo. Se, no período de vigência não acontecer nenhum roubo, não sou obrigado a fazer uso do meu direito. Então, eu tenho a opção de exercer ou não. Não posso forjar um roubo só pra fazer uso do meu direito...

O mesmo vale para o mercado financeiro. Se eu comprei um direito de comprar ações a R$25 e, no dia do vencimento, a ação está custando R$23,50 não faz qualquer sentido fazer uso do meu direito. Por que eu pagaria mais caro (R$25) se posso pagar R$23,50? Se eu comprei um direito de vender ações a R$23,00 e, no dia do vencimento a ação está custando R$24,50 por que eu faria uso do meu direito de vender, se posso vender mais caro no mercado? Nesses dois casos, meu direito vira pó. Não serve mais para nada e ninguém vai querer comprá-lo. E esse é um detalhe importante: um trader pode revender o direito que comprou ou recomprar um direito que vendeu e, dessa forma, obter lucro ou diminuir prejuízo. Ele não é obrigado a permanecer comprado ou vendido em Opções.

As Opções têm nomes: Opções de compra (direito de compra) chamam-se call; Opções de venda (direito de venda) chamam-se put.

Quando o comprador de Opções faz uso de seu direito, é comum dizer que ele vai exercer sua posição. Já o vendedor, quando é obrigado a comprar ou a vender ações, diz-se que ele foi exercido. Mas esse exercício pode acontecer a qualquer momento? Depende! Se a Opção for do tipo americana, sim. Até o dia do vencimento, o comprador da Opção pode exercer seu direito a qualquer momento. Mas, se a Opção for do tipo europeia, somente no dia do vencimento o comprador poderá exercer seu direito. Quando o comprador entende que não é vantajoso exercer seu direito, é comum dizer que a opção virou pó.

O preço em que as ações serão negociadas em caso de exercício da opção chama-se strike. Em condições normais, os strikes das Opções não são modificados, a menos que a empresa anuncie o pagamento de proventos. O preço de fechamento das ações no pregão anterior ao dia “EX” é corrigido subtraindo-se o valor anunciado pela empresa. Essa correção é feita devido a fatores contábeis e para que a neutralidade do patrimônio de investidores seja mantida. Por exemplo, em comunicado enviado à B3, a BRASILAGRO – Companhia Brasileira de Propriedades Agrícolas (AGRO3) – aprovou, em Assembleia Geral Extraordinária realizada no dia 16/09/2020, o pagamento de R$42.000.000,00 em dividendos, equivalente a R$0,707756051 por ação no dia 12 de novembro de 2020 com base na posição acionária até o dia 16 de outubro de 2020, ficando assim ex-dividendos (ED) a partir do dia 19 de outubro de 2020, inclusive.

No dia 19/10, foram descontados aproximadamente R$0,71 do preço de fechamento das ações no pregão do dia 16/09 e valores proporcionais dos preços de fechamentos de pregões anteriores. O mesmo desconto acontece nos strikes das opções já autorizadas pela B3, mesmo que já tenham sido negociadas. Por exemplo, se um operador comprou e/ou vendeu opções de strike R$23,00, esse strike passa a ser R$22,29. É preciso manter muita atenção a esse ponto.

O preço em que a opção foi negociada chama-se prêmio. Por quê? No mercado de opções, tanto comprador quanto vendedor correm riscos. O comprador corre o risco de perder o dinheiro que pagou para comprar as opções, caso não exerça seu direito. Já o vendedor, corre o risco de ter que vender ações a um preço mais baixo ou comprar ações a um preço mais alto que o cotado no mercado, se for exercido. Em algumas situações, ser exercido pode trazer prejuízo ao vendedor, dessa forma, o vendedor acaba por ter um risco maior que o comprador. Por isso, o vendedor recebe um prêmio para tomar esse risco, da mesma forma que a seguradora cobra um prêmio para tomar o risco de ter que pagar um carro novo ao segurado.

Então, já sabemos que comprar uma call de strike R$25,00 pagando um prêmio de R$1,40 é o mesmo que dizer que pagamos R$1,40 por um direito de comprar uma ação a R$25,00.

Mas como as opções são negociadas?

Todos os meses, a B3 (empresa que administra, custodia e faz a compensação e liquidação de todas as operações em bolsa de valores) autoriza a negociação de opções sobre vários ativos, tais como ações, futuros financeiros e agrícolas e juros. Normalmente, os strikes das opções autorizadas guardam diferenças entre si de R$0,25, R$0,50 e R$1,00. Entretanto, a pedido de grandes instituições financeiras, séries com strikes especiais podem ser autorizadas. As opções são então negociadas em pregão eletrônico, via home-broker ou plataformas de negociação, e como qualquer ativo negociado em pregão eletrônico, as ordens de compra e venda podem ser apregoadas ou executadas a mercado (compradas pelo melhor preço de venda ou vendidas pelo melhor preço de compra), sempre em lotes de 100 opções (não há mercado fracionário para opções).


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Publicação: 20/01/2021 18:00
Atualização: 18/01/2021 15:12