Este artigo será um pouco diferente, pois eu, Caio Sasaki, vou lhe apresentar alguns pontos da minha trajetória pessoal, além de uma visão bastante ampla sobre o mercado educacional. Acredito que tenho bastante bagagem para falar desse assunto com propriedade, pois, além de ser sócio fundador de um dos maiores portais educacionais sobre trading no Brasil, vivi a vida toda no universo educacional. Sempre fui um entusiasta do setor educacional, sempre gostei de ensinar as pessoas, mas, como veremos nas próximas linhas, mais do que uma atividade gratificante, também é um ótimo nicho de negócio.

Minha mãe foi professora e eu também iniciei minha trajetória profissional como professor, em 2001 (já faz quase 20 anos!), quando ingressei na graduação em física na USP. Comecei tirando dúvidas particulares e resolvendo listas de exercícios e simulados em um cursinho pré-vestibular. Nos anos seguintes, passei a exercer também o papel de monitor e pesquisador científico, e só comecei minha jornada no trading no meu último ano de graduação (2005). Naquela época, já sabia que queria trabalhar no mercado financeiro, então, resolvi fazer um curso de operador de pregão viva voz – que, inclusive, me daria uma certificação para começar a trabalhar em alguma corretora. Poucos meses depois, fui admitido em uma mesa para operar day trade em ativos no mercado norte-americano.

Agora vamos avançar alguns anos até 2009, quando ingressei na área de análise da Interfloat Corretora, que, na época era o maior “celeiro” de traders no Brasil – todos os operadores de pregão que saíam de uma instituição para tentar a carreira de trader autônomo iam para lá. A corretora estava iniciando um projeto educacional e ali começou a minha experiência como professor sobre trading e assuntos sobre o mercado de investimentos, que hoje já soma mais de uma década. Durante todo esse tempo, nunca deixei de atuar no mercado para somente dar aulas sobre o assunto, mas me considero, sim, um professor e, ao longo da minha jornada, tenho notado que algumas pessoas se incomodam com isso. Ironicamente, toda essa revolta contra o mercado educacional no mundo dos investimentos vem justamente da falta de conhecimento; por isso, hoje vou mergulhar no assunto e revirar os pontos mais polêmicos comentando algumas das afirmações e dúvidas com as quais já me deparei, então, mãos à obra.

Vender curso dá mais dinheiro do que fazer trade – sim, com muita frequência, isso é verdade. Há muitos anos, o segmento educacional é o que mais cresce mês a mês, inclusive durante a pandemia do coronavírus, que fez a maioria dos demais setores encolher. Hoje, você encontra cursos on-line sobre culinária, como ter uma alimentação saudável, como fazer manutenção no seu carro e, claro, sobre trading, entre muitos outros assuntos. Agora, vamos fazer uma conta muito simples: um curso cuja mensalidade custa R$350 e possui mil alunos teria uma receita bruta de R$350 mil. Isso é muito mais do que um day trader consegue fazer regularmente e você sabe o por quê? O mercado educacional (on-line, principalmente) pode ser escalado para milhares de alunos, enquanto, no day trading, em minicontratos, por exemplo, você não consegue negociar mais do que o mercado oferece no book de ofertas, que são algumas dezenas de contratos por nível de preço. Então, é natural que o segmento educacional sobre trading dê mais dinheiro que a própria atividade em si.

Aqui cabe um contraponto. Para quem pensa que basta uma webcam e uma noção mínima sobre o mercado para ganhar rios de dinheiro com uma videoaula, tenho uma má notícia: o mercado educacional se aperfeiçoou e já não tem mais espaço para amadores. As aulas do Portal do Trader, por exemplo, envolvem no mínimo 6 profissionais: o trader/especialista, uma revisora, um técnico de filmagem, um editor de vídeo, um programador para subir todo o material no e-learning (de desenvolvimento próprio) e um coordenador para administrar todo o fluxo de produção de dezenas de aulas que passam por essa sequência de profissionais. Isso porque não estou incluindo a equipe de webdesign, direção e produção audiovisual, marketing, etc. Enfim, já se foi o tempo das aulas profissionais, porém com produções caseiras. Hoje, o nosso desafio está em entregar um nível de excelência em todas as frentes.

Ah, mas fulano ganha mais dinheiro como vendedor de curso do que como trader – provavelmente, é pura verdade! Aliás, indo além, muitos dos profissionais do mercado que você vê por aí ganham mais dinheiro como prestadores de serviço do que se estivessem trabalhando seu próprio dinheiro. São eles: professores, analistas, assessores e gestores. Como acabei de explicar, é mais plausível escalar número de alunos, assinantes, clientes ou cotistas do que contratos operados. Agora, não confunda trading com investimentos (os de longo prazo, especialmente), porque esse segundo tipo de atuação no mercado financeiro é muito escalável e, neste caso, é plenamente possível encontrar investidores que dão curso, mas que ganham muito mais dinheiro com investimento no mercado financeiro.

Existem traders que nunca ganharam dinheiro no mercado e dão aula sobre o assunto – provavelmente, é o que mais tem por aí (chutaria uns milhares). Pare para pensar quantos professores universitários dão aulas sobre derivativos e investimentos em cursos de administração, economia e contabilidade, mas não investem no mercado financeiro. Apesar disso, será que o conhecimento que estão entregando deixa de ser verídico pelo fato de não aplicarem na prática? Eu concordo que é extremamente importante você fazer o que fala (no meu caso, faço questão de ter o “skin in the game”), mas nem sempre o professor precisa viver o que ensina para que suas palavras tenham validade (senão, eu teria que ter uma experiência como traficante para ensinar aos meus filhos que isso é ruim).

Ah, mas não é justo um trader perdedor dar curso – não é mesmo, você tem toda razão e eu mesmo não teria aulas com quem não me inspira veracidade, então, basta não comprar o curso dele (você não é obrigado). Mas entenda que ele não está lhe vendendo seu sucesso, mas, sim, conhecimento. Imagine a seguinte situação: você se interessou por investimentos em bolsa de valores, mas não sabe absolutamente nada sobre o assunto. Aí veio o Zezinho e lhe oferece um curso de autoria própria sobre como investir na bolsa, passo a passo, por R$99,90. Sejamos sinceros, mesmo que o Zezinho tenha apenas trabalhado como auxiliar administrativo em uma corretora de valores, esse é um preço muito justo para alguém lhe entregar um conhecimento mastigado que vai lhe poupar muito tempo garimpando material na internet, não é mesmo? A boa notícia é que, no mundo real, você só paga caro por ensinamento ruim  se quiser, pois todo esse conhecimento é oferecido de forma muito acessível dentro do Portal do Trader (nesse treinamento). E o melhor é que você está sob a orientação de profissionais com mais de uma década no mercado, muita experiência prática e confiança o suficiente para jogar limpo com você em relação a essa questão educacional para traders.

Muitos traders que ministram cursos evitam tocar nesse assunto – eu acredito nisso, mas me sinto na obrigação de ser coerente e transparente com você. Minha primeira atuação no mercado foi justamente como day trader, ganhei algum dinheiro com isso, mas sobretudo desenvolvi qualidades que moldaram meu caráter e minha visão de negócios. Hoje, tenho múltiplas fontes de renda que contam o com o trading, cursos, investimentos de longo prazo, imóveis e participação societária em empresas dentro e fora do segmento de mercado financeiro. Então, não vivo e nem vejo sentido em “viver só de trading”. Inclusive desmitifico essa visão ingênua da cabeça de meus alunos e seguidores, e procuro ensiná-los como construir um portfólio de geradores de renda. Quando ministro meus cursos, tenho total consciência da minha responsabilidade como prestador de serviço e acredito ser merecidamente muito bem remunerado pelo que entrego. No Portal, para garantirmos nosso comprometimento, rodamos pesquisas de satisfação com os alunos e a aprovação supera os 95%, ou seja, a maioria está satisfeita em pagar pelo que recebe. Pouca gente no mercado será tão transparente com você como nós.

Como posso selecionar bons cursos e profissionais? A tecnologia ao alcance de todos possibilitou que qualquer um pudesse ministrar cursos da noite para o dia. Isso foi algo maravilhoso, pois trouxe muitos bons profissionais à tona, porém, também deu recursos a oportunistas diversos. Por isso, aqui vão algumas dicas sobre como evitar armadilhas: 1. procure por referências dos especialistas - dificilmente alguém com pouca experiência tem condições de ensinar com propriedade; 2. desconfie de marketing apelativo - lembre-se que fotos e vídeos com bens de consumo caros nas redes sociais não são provas de conhecimento e é isso que você estará comprando; 3. busque por feedback dos alunos que já fizeram o curso - com uma rápida busca na internet, já é possível ter uma ideia da qualidade do profissional que vai ensiná-lo. Vale reforçar que você não tem muito com o que se preocupar, pois já faz parte deste treinamento, que é completo e já consolidado no mercado.

Ainda gostaria de citar mais um ponto, pessoal, sobre o que me motiva a dar aulas até hoje. Desde os meus primeiros ensinamentos, ainda sobre física, na faculdade, percebi que o ato de ensinar me obriga a estudar e refletir sobre minhas práticas (afinal, eu preciso ser um bom exemplo). Além disso, construí ótimas amizades com alguns dos meus alunos e tive a oportunidade de aprender com eles também, portanto, ser professor faz de mim um trader melhor.

Para concluir, o mercado educacional já fez alguns bilionários como João Pedro Resende (Hotmart), José Janguiê Bezerra Diniz (Ser Educacional), Walfrido dos Mares Guia (Cogna), Flavio Augusto (Wise UP) e Carlos Wizard, e continuará fazendo muitos outros, pois sempre haverá gente disposta a pagar por conhecimento. E, como em qualquer segmento, existem profissionais bons e ruins, então, se você é daqueles que vive fazendo comentários capciosos sobre traders ministrarem cursos, provavelmente está falando a verdade. Contudo, por mais que afirme isso com ares de quem enxerga o que a maioria não vê, saiba que é algo tão óbvio que faz você parecer tolo e esse é o ponto: não há nada mais vexaminoso do que um tolo que (sem perceber sua condição) se acha um gênio.