Algumas décadas atrás, os períodos das operações eram classificados como: curto prazo, que compreende desde operações intradiárias até trades que duram menos de um mês; médio prazo, para operações de um a três meses e longo prazo, para operações a partir de três meses, que é o ciclo de publicação de balanço das empresas.

No entanto, os tempos mudaram e o mercado ficou muito mais dinâmico, de tal forma que, hoje em dia, é mais eficiente classificar as modalidades de trading considerando o estilo operacional.

Dessa forma, temos basicamente quatro modalidades de operação:

Day Trade

São operações de um mesmo ativo iniciadas e encerradas dentro de um mesmo pregão e através da mesma instituição, ou seja, se você comprar por uma corretora e vender por outra, terá duas operações abertas e com direções opostas, pois os sistemas das instituições não conversam entre si. Por se tratar de um caso em que a área de risco das instituições conseguem intervir a qualquer momento, o trader tem a vantagem da alavancagem (aumento do poder de negociação, sem nenhum custo adicional) e geralmente custos menores se comparados aos custos de operações mais longas. Contudo, a tributação é maior no day trade (temos uma aula específica sobre esse assunto). A principal técnica usada nessa modalidade é a análise gráfica, podendo ser útil também o tape reading e menos frequentemente o uso de análise fundamentalista ou macro. Nessa modalidade, existe uma subcategoria dedicada a operações de curtíssima duração que falaremos a seguir.

Scalping

São operações de curtíssima extensão, muitas vezes, visando a buscar apenas o tick (variação mínima) do ativo, por exemplo, meio ponto de dólar, um centavo em uma ação e assim por diante. Consequentemente, as operações costumam ter duração extremamente curta (segundos!), mas algumas variações dessa modalidade permitem "esticar" o trade um pouco mais, dependendo da liquidez e da volatilidade do mercado. Por um lado, operações excessivas e o tamanho (geralmente maior) dos lotes operados no scalping podem aumentar o risco, mas, por outro, a curta exposição pode compensar. As técnicas mais usadas são gráficos com time frames baixos (de 1 a 5 minutos) e tape reading. É uma modalidade que exige controle de risco refinado.

Swing Trade

São operações que podem durar de dois dias a algumas semanas, mas não chegando a durar meses. Pela duração, além da análise gráfica, é possível tirarmos proveito de análises que levem em conta os fundamentos da empresa ou do ativo, notícias e cenário macroeconômico. Nesse prazo operacional, o tape reading – usado no day trade – tem pouca aplicabilidade.

Position Trade

São operações que duram mais de um mês. Nessa modalidade, usam-se gráficos de período mais longo (60 minutos, diário ou até semanal), além de leituras do contexto macro e análise fundamentalista. No entanto, vale ressaltar que, assim como nas demais modalidades, o Position Trade possui alvos e stops bem definidos, o que não acontece em outro tipo de operação denominada Buy & Hold.

Buy & Hold

Traduzido ao pé da letra, significa "comprar e segurar". Em sua essência, nem podemos considerar como trading, pois consiste em comprar um ativo e mantê-lo por tempo indefinido, sem definir stop e objetivos (critérios essenciais em qualquer tipo de trade). Contudo, comprar e segurar uma ação não significa comprar e esquecê-la para sempre, portanto, existe um método para selecionar as ações e manter a posição, ainda que não seja uma decisão baseada em preço, como normalmente acontece no trading. É comum que a decisão seja baseada em critérios de análise fundamentalista e tenha como objetivo final a montagem de uma carteira para longo prazo.

Outras modalidades

Apesar de pensarmos muito nos critérios de duração das operações, também podemos considerar outros parâmetros que acabariam gerando novas modalidades, não muito comuns, como, por exemplo: Long & Short – consiste em comprar uma ação e vender outra diferente, seja do mesmo setor (mais comum), ou de outro nicho completamente diferente, com o objetivo de ganhar em cima da diferença de preço entre elas. A duração pode variar de intraday até meses; arbitragem – consiste em operar a distorção de preço de um mesmo ativo negociado em vias diferentes (ex: dólar padrão e minidólar, índice padrão e mini-índice, PETR4 na B3 e PETR4 ADR, etc.), por meio da compra ou venda de outro (também pode se considerar ativos diferentes, porém com altíssima correlação como pares de moedas e commodidites). Normalmente, são operações com duração de segundos ou até fração de segundos, executadas por robôs de alta frequência (HFTs); operações estruturadas – consistem em operar derivativos de forma combinada com ativos à vista (mercado spot de ações, câmbio ou ETFs, que são fundos de índices negociados como ações) ou com outros derivativos (o exemplo mais comum são travas e lançamentos cobertos com opções). A duração é de alguns dias, normalmente condicionada ao vencimento do derivativo em questão.