Contratos futuros são, como o próprio nome sugere, um acordo entre duas partes que trata da negociação de algo no futuro. Imagine que sou um produtor de café que está plantando sua produção cuja colheita se dará daqui a alguns meses. E você é a pessoa que comprará o café de mim, fará a torrefação e venderá sua produção nos supermercados do país.

Como eu não sei o que acontecerá no futuro, meu maior medo é que, quando eu for colher o meu café, o preço esteja muito baixo e eu receba um valor insuficiente pela minha produção. Possivelmente, se o preço estiver muito baixo, eu não receba o suficiente para pagar meus custos de produção.

Você, que é o dono da torrefação, tem um receio que é exatamente o oposto ao meu. Seu receio é de que, quando for comprar o café, ele esteja tão caro que você não tenha margem para negociar o preço de venda com o supermercado.

O que fazemos então? Acordamos um preço que seja justo para ambos, fazemos um contrato e, quando for a época da colheita, eu entrego o café a você pelo preço combinado e você me paga. Como combinamos o preço com antecedência, nenhum de nós terá prejuízo.

Se você entendeu esse mecanismo, certamente compreendeu o conceito de Hedge (proteção), onde as partes não querem lucrar com a volatilidade de um ativo, mas simplesmente se proteger de possíveis variações no preço deles.

Vamos agora para o Dólar e , para isso, vamos a um outro exemplo.

Digamos que você pretenda ir para a Disney daqui a alguns meses e que, para a viagem, vá precisar de USD $ 10,000.00. Mas você tem medo de que, na época da viagem, o dólar suba de preço e você não tenha dinheiro para comprar os 10 mil que precisa.

Então o que você faz? Compra um contrato futuro de dólar para se proteger das variações de preço. O seu objetivo não é ganhar dinheiro com o dólar – você só quer ter a garantia de que conseguirá comprar os 10 mil dólares na época em que for viajar. Com esses contratos, você terá a garantia de que, quando for viajar, venderá o contrato e receberá a quantidade de Reais suficientes para compra USD $10.000,00.

É exatamente para isso que servem os contratos de dólar negociados em bolsa: para proteger pessoas e empresas que dependam do dólar para sua sobrevivência. Imagine uma empresa que tenha uma dívida em dólar, ou seja, se o dólar subir muito, sua dívida aumentará.

Agora pense em uma empresa que exporta sua produção e recebe pagamento em dólar, se o dólar cair muito de preço, ela talvez não receberá a quantidade de Reais suficiente para remunerar sua produção.

Há muito tempo, quando os contratos de dólar foram criados na Bolsa brasileira, só existiam os chamados contratos cheios, cujo lote mínimo de negociação era equivalente a US$ 250,000.00. Pequenos exportadores e importadores não tinham como se proteger com isso – o valor mínimo era muito alto. Pensando nisso, a B3 criou o minidólar, que equivale a 20% de um contrato cheio, e com a vantagem de poder ser negociado individualmente (o dólar cheio só pode ser negociado em múltiplos de 5 contratos, o que equivale a 25 minis).

Como do dólar está sujeito também à Lei de oferta e demanda, ele poderá subir ou cair de preço (em Reais) dependendo das expectativas ou medos do mundo em relação a esta moeda que tem aceitação praticamente universal e é a moeda de negociação de boa parte dos acordos comerciais realizados no mundo.

Os traders aproveitam-se dessas variações de cotação para lucrarem especulando sobre as expectativas de preço da moeda.

Como podemos perceber, os contratos de dolar cheio e mini dolar vão muito além da mera especulação financeira para tornarem-se verdadeiras redes de proteção em favor dos malabarismos comerciais do mercado.