Commodities Agrícolas: Gerenciamento de Risco

O gerenciamento de risco também é chamado de manejo de risco ou gerenciamento de capital. Consiste em definir critérios sobre qual quantidade de ações, contratos futuros ou mesmo volume de dinheiro iremos alocar em cada operação e em uma série de operações.

Já dizia George Soros: "Não importa se você está certo ou errado, mas, sim, quanto dinheiro você ganha quando está certo e quanto você perde quando está errado". Se o trader tiver 50% de acerto em suas operações e, quando acertar, ganhar R$ 2 e quando errar, R$ 1, terá sucesso ao longo de muitas operações. Ressalto que acertar 50% dos trades é absolutamente normal, especialmente no Day Trade. Alguns traders preferem uma relação risco x retorno ainda maior, como de 3 para 1. Ou seja, um potencial de ganhar R$ 3 e um risco de perder R$ 1. Em resumo, índice de acerto não é garantia de sucesso. O mais importante é a média de ganho / perda (Win / Loss). O trader pode acertar 80% dos trades e mesmo assim perder dinheiro. Da mesma forma que pode acertar 30% dos trades e ganhar muito dinheiro.

Definir o tamanho da posição tem vital importância. Uma posição não pode ser grande demais a ponto de tirar seu sono por medo do possível prejuízo, caso a operação não ande a seu favor. Tampouco uma sequência de perdas pode o excluir do trading por causa das posições grandes demais.

É fundamental limitar as perdas, de modo que, ao iniciar uma operação, já se saiba exatamente qual o pior cenário possível. Essa prática ajuda, inclusive, na parte mental, tão importante para os traders. A maioria dos traders iniciantes só pensa no cenário bonito, onde tudo dá certo, e ficar rico com o mercado é apenas uma questão de tempo. Então, limitar o tamanho da posição só irá atrapalhar o seu caminho rumo ao sucesso. Pensar em um cenário contrário às expectativas é essencial para um trader de sucesso. É nesse momento que entram o stop e o gerenciamento de risco.

Por outro lado, uma posição pequena demais pode gerar frustração. O trade é bem analisado, bem executado, anda a favor, mas, na hora de apurar os resultados, o trabalho do trader não foi bem remunerado. Desse jeito, sua intenção de ficar rico rapidamente não irá a frente. Um tamanho de posição precisa ser planejado de forma que equilibre os dois cenários. Nem grande, nem pequeno demais

Existem muitas regras de manejo de risco, mas uma das regras mais simples (e eficientes) sobre o tamanho do aporte em cada operação é a regra dos 2%. Os 2% referem-se ao percentual máximo de perda por operação, tendo por base seu capital destinado à renda variável. Importante: o percentual é com base no capital reservado às ações, e não sobre seu capital total.

O sistema detalhado funciona assim:

  • Definir o seu capital destinado à renda variável.
  • Não perder mais que 2% do seu capital destinado à renda variável.
  • Para fazer essa conta, deve-se definir o ponto de entrada na operação e o ponto de saída (o stop). Diminuir o preço de stop do preço de entrada
  • Dividir o seu capital por esse resultado.

Vamos a um exemplo:

  • Capital de R$ 100 mil.
  • 2% de perda máxima por trade (2% de R$ 100 mil): R$ 2 mil.
  • Compra de uma ação a R$ 4,75 e stop em R$ 4,45. Diferença de R$ 0,30.
  • 2.000 / 0,30 = 6.666 ações.
  • Arredondando para baixo, seriam 6 mil ações adquiridas a R$ 6,75.
  • Total do capital envolvido: R$ 40.500 (40,5% do seu capital total).

Considerações importantes:

  • Para capital acima de R$300 mil, usar 1, em vez de 2%.
  • A mesma regra de usar 1% se aplica para quem tem tolerância menor ao risco.
  • Traders mais agressivos podem considerar risco envolvido de 4% do capital em cada trade.
  • Não perder no mesmo mês mais do que 10% do capital (somadas as operações).
  • Em contratos futuros a lógica é a mesma, só precisa conhecer o tamanho de cada contrato para poder fazer o cálculo.
  • Um modelo de capital fixo para Day Trade ajuda na rapidez de execução. Exemplo: operar sempre com 10 minicontratos de dólar. Mas, para dar certo o stop, deve ser sempre da mesma quantidade de pontos.