Tudo, ou quase tudo

Esta é uma frase famosa:

os preços descontam tudo
(alguns dizem que os índices descontam tudo, mas, na prática, significa o mesmo). Essa frase surge com a compilação dos estudos de Charles Dow e acabou se tornando uma de suas afirmações mais famosas, usadas principalmente pelos defensores da análise gráfica.

Mas não pense que isso foi inventado por Charles Dow. Na verdade, esse conceito foi emprestado da Teoria Econômica Clássica, em que é tratada a hipótese do mercado eficiente que, grosso modo, afirma que os mercados são eficientes de acordo com a informação disponível.

Essa hipótese é apresentada em três versões: fraca, semiforte e forte.

A fraca afirma que os preços negociados para os bens e ativos refletem toda a informação disponível que se tem sobre eles.

A semiforte afirma que os preços refletem as informações disponíveis e que imediatamente se corrigem no momento em que novas informações se tornam públicas.

E a forte indica que os preços refletem não somente as informações disponíveis, mas também as informações ocultas e privilegiadas.

Existe uma rivalidade histórica entre analistas fundamentalistas e técnicos. Os primeiros não acreditam que um gráfico seja capaz de prever os movimentos futuros de um ativo. E eles estão certíssimos – gráfico nenhum é capaz de prever o futuro, o nome disso é bola de cristal, mas esta só existe na ficção.

Já os segundos, os grafistas, afirmam que tudo está no preço. Quem está certo?

Se observarmos com cuidado, ambos estão certos. A análise fundamentalista parte do princípio de que os fundamentos da empresa são um forte indicador de qual rumo o preço de suas ações vai tomar. Afinal, se uma empresa é historicamente bem administrada, tem lucros constantes e crescentes, se ela é uma das líderes de seu mercado e investe em inovação, a tendência é de que cresça e se valorize, e isso será refletido nas ações mais cedo ou mais tarde.

Charles Dow, em seus estudos, acreditava que todos os investidores, quando tomaram suas decisões de investimento, seja comprando ou vendendo ações, já fizeram todas as análises possíveis – inclusive as de base fundamentalista – e, baseados naquilo que encontraram, já precificam a expectativa futura do comportamento dos ativos.

Assim, se a empresa XPTO vem apresentando um ótimo desempenho e esta semana tomou uma decisão de investimento que os analistas entendem como benéfica para seu desempenho, esse fato será imediatamente refletido no preço do ativo.

Grandes investidores contam com enormes equipes de analistas, tanto técnicos quanto fundamentalistas, para estudar o mercado de todos os pontos de vista. Isso inclui fatores macroeconômicos, microeconômicos, monetários, geopolíticos e tudo o que mais possa, direta ou indiretamente, afetar a valorização dos ativos.

Com base e como resultado de todos esses estudos, tomam suas decisões de investimento. Esses são os grandes players, aqueles que têm o poder de movimentar os mercados.

E, se é assim, para o grafista, nem seria preciso se dar ao trabalho de fazer tanta pesquisa porque, se os grandes players contratam equipes enormes a peso de ouro para tomar decisões de investimentos, certamente não fazem isso para perder dinheiro.

Então, tudo o que eles fazem no mercado aparece nos gráficos sob a forma de preço que, por tudo o que vimos, já vem considerando toda as análises que fizeram.

Isso não quer dizer, absolutamente, que você deva negligenciar fatores econômicos, monetários e políticos em suas operações de trading. É fundamental que você acompanhe os índices mundiais, os movimentos dos grandes players e dos grandes países.

Como nossa bolsa tem seu movimento, em grande parte, gerado pela atuação dos estrangeiros, é fundamental que você acompanhe seus índices e respectivos preços.

Afinal, os preços descontam tudo.