Uma fase daquelas. Uma não, três!

Um dos princípios da Teoria de Dow afirma que o movimento dos preços nas tendências primárias passa por fases reconhecíveis e repetíveis. Na verdade, são seis as fases observadas por Charles Dow, mas divididas em duas partes de três fases cada uma: 3 para tendência de alta e 3 para tendência de baixa.

As 3 fases da tendência de alta

Acumulação

Os preços caminham em tendência. Após uma tendência de alta, segue-se uma tendência de baixa e, depois dela, uma nova tendência de alta.

É no final de uma tendência de baixa que se inicia a fase de acumulação. Como essa fase marca o início de uma nova tendência, ela ainda não é propriamente uma tendência e, por essa razão, fica difícil identificá-la.

O conjunto de investidores é formado pelos grandes players e pela população em geral – pessoas físicas e pequenas empresas que investem nos ativos de renda variável. O início de qualquer tendência ocorre logo após a desistência da maioria dos investidores diante da queda recente nos preços.

Então, grandes investidores começam a comprar os ativos, mas isso ainda não é suficiente para provocar uma elevação notável nos preços. Esses investidores estão realmente comprando fundo (para, em breve, venderem no topo) e esse dinheiro investido é conhecido no mercado pelo nome de “Smart Money” ou dinheiro esperto.

Segundo Dow, eles são bem informados e experientes, e começam a comprar papéis subvalorizados de empresas que apresentem bons fundamentos. Ou seja, compram barato.

Nessa fase, a bolsa fica de lado por vários meses.

Participação pública

É nesse momento que investidores institucionais – cuja característica é investir de modo seguro, já que cuidam do dinheiro de milhares de pessoas – começam a fazer seus aportes.

As pessoas físicas ainda estão temerosas devido à última queda nos preços e permanecem de fora dessa fase. A mídia ainda comenta a fase ruim pela qual passaram as bolsas, assustando os investidores comuns.

Enquanto isso, os institucionais começam a entrar aos poucos, procurando não chamar muito a atenção. Mas isso dura pouco porque, à medida que mais investidores institucionais compram ativos, os preços começam a subir de forma mais acelerada, até o ponto em que não se pode deixar de notar a “recuperação das Bolsas”.

Excesso

Nessa fase, a boa nova se espalha e o noticiário econômico começa a divulgar que a Bolsa está barata, que está subindo muito, e que investir em renda variável é o negócio do século e a chance de ficar rico é agora.

Claro que todas as pessoas não especialistas ficarão animadas e voltarão a comprar. Esse excesso de demanda acelera a curva de crescimento dos preços, reforçando a ideia propagada pela mídia de que essa é a hora de ganhar dinheiro. Ao ver os preços subirem vertiginosamente, mais pessoas entram na Bolsa, muitas pela primeira vez em suas vidas, acreditando terem encontrado a chave do cofre. Pena que já é tarde demais.

As 3 fases da tendência de baixa

Distribuição

Lembra daqueles investidores lá do começo? Discretos, começaram a comprar quando todo mundo ainda estava desanimado com a queda recente. Nesse momento, eles estão com um lucro potencial enorme e já é hora de por no bolso. Ao começarem a realizar seus lucros, as vendas começam a se sobressair, refreando um pouco aquele ímpeto altista que tanto animou os investidores que acompanham o noticiário da TV. É quando o mercado fica um pouco de lado. Esse é o momento da virada, ou seja, é quando a tendência de alta anterior está prestes a reverter. Alguns ainda estão chegando porque acreditam que os preços têm mais espaço para subir, mas infelizmente chegaram no fim da festa.

Participação pública

O mercado começa a perceber que houve, de fato, uma desaceleração e a notícia começa a se espalhar. A mídia já não está tão animada e as pessoas começam a desconfiar de que aquela alta aparentemente colocou o pé no freio. Ao perceberem uma possível reversão de tendência despontando no horizonte, os investidores mais espertos procuram por um ponto de saída. Ao saírem, aumentam naturalmente o ritmo das vendas, acelerando o processo de fim de alta e início de reversão, até que o preço finalmente se reverte e começa a apontar para baixo.

Pânico

Você se lembra daqueles investidores que chegaram no fim da festa? Pois é, muito rapidamente eles descobrem que compraram topo e que terão prejuízos se não saírem de suas posições rapidamente. Começam então as vendas que aceleram ainda mais a tendência de queda. O medo é uma emoção muito mais forte do que a ganância e, por isso, as pernas de tendência de queda são bem mais inclinadas que as pernas de alta. Em pouco tempo, o preço volta a patamares bastante baixos, possibilitando que um novo ciclo comece.


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Publicação: 08/06/2018 22:30
Atualização: 03/05/2021 10:49