Um olho no peixe, outro no gato

Quando Charles Dow e Edward Jones criaram o famoso índice, baseavam suas análises no comportamento das principais indústrias dos Estados Unidos. E, para evitar distorções na sua interpretação dos movimentos do mercado, eles imaginaram que, se a indústria estivesse indo bem, certamente o setor de transportes – na época, o ferroviário – deveria acompanhar o movimento do mercado. Assim, se houver uma queda na produção, menos bens serão fabricados, menos bens serão transportados e isso irá se refletir no desempenho das empresas que transportam esses bens.

Por outro lado, se um índice estiver subindo e o outro descendo, isso apontará uma divergência entre as informações, que precisará ser verificada. Dessa forma, a ideia por trás desse princípio é que uma tendência deverá sempre ser confirmada por empresas de setores que costumam andar juntos.

Com a evolução e o crescimento dos mercados, passamos a contar com diversos outros índices que atendem a múltiplas necessidades, servindo de referência para a confirmação de praticamente qualquer ativo que se queira.

Assim, o índice Bovespa confirma e é confirmado pelas ações mais representativas que formam o índice.

Isso não se limita ao mercado doméstico. Preços e índices internacionais podem servir como referência para o comportamento de toda a Bolsa brasileira. O próprio índice Dow Jones é um exemplo largamente utilizado pela maioria dos traders brasileiros. Outro índice importante é o S&P 500, que representa a variação de preços do conjunto das 500 maiores empresas norte-americanas.

Preços futuros do minério de ferro e do petróleo antecipam movimentos que poderão afetar alguns ativos brasileiros e, por conseguinte, os preços do contrato futuro de índice Bovespa.

Índices setoriais, como o de materiais de construção ou de empresas de energia elétrica, podem ajudar a explicar movimentos individuais de empresas nesses setores. Empresas de material de embalagem confirmam o crescimento de empresas industriais e assim por diante.

Uma vez escolhido o ativo que se quer operar, o trader deverá estudar seu mercado e todos os fatores que podem influenciar sua movimentação.

Ainda que o preço desconte tudo, movimentos divergentes sempre poderão ocorrer e o trader atento aos índices que mantêm correlações – tanto positivas quanto negativas – com seu ativo será capaz de antever movimentos possíveis, o que poderá impactar positivamente no resultado de suas operações.