Porque abrir Capital?

Toda empresa é, em si, um investimento. Ela geralmente começa a partir da iniciativa de um empreendedor que detecta uma oportunidade de mercado e, juntando recursos próprios, ou eventualmente de terceiros, inicia sua atividade.

A totalidade dos negócios privados existentes no mundo é assim. Desde um quiosque à beira mar até um enorme conglomerado industrial, tudo sempre começa a partir da iniciativa de uma ou mais pessoas.

Essas pessoas, ao abrirem a então pequena empresa, aportam capital próprio, fruto de seus esforços em poupar dinheiro. É obviamente um investimento de alto risco. Afinal, nunca se pode ter certeza de que o negócio dará certo.

Caso tudo corra bem e a empresa cresça, ela fará novos investimentos. Digamos, por exemplo, que você abriu uma pequena fábrica. Para crescer e, desde que haja mercado para expandir, você terá que adquirir novos equipamentos, contratar e treinar mão de obra e adquirir matéria-prima para fabricar e vender sua produção.

Para que tudo isso seja possível, você precisará de recursos financeiros, que poderão ser obtidos de diversas fontes. Você poderá, por exemplo, reinvestir todo ou parte do seu lucro na compra desse novo equipamento, acreditando que será capaz de vender a produção adicional que ele proporcionará. Com isso, aumentará seu faturamento e seu lucro.

O que você fez nesse caso foi investir em crescimento orgânico, que é aquele que se consegue a partir do lucro gerado pela própria empresa sem pedir dinheiro emprestado a pessoas ou bancos.

Caso sua empresa, por alguma razão, não tenha lucro suficiente para bancar os novos investimentos, você terá que buscar um financiador, que poderá ser um banco privado ou, até mesmo, o BNDES.

No entanto, todos sabemos que as taxas de juros dos bancos privados são altas e que o acesso ao BNDES nem sempre é possível.

Assim, uma alternativa seria convidar alguém para ser seu sócio no empreendimento. Essa pessoa entraria com o aporte financeiro e, dependendo das negociações, poderia ou não participar da gestão da sua empresa.

Note que, comparativamente à obtenção de um empréstimo, esta é a forma mais barata de se obter aporte de capital, ou seja, você abre mão de parte da sociedade e convida um sócio para fazer parte dela.

Veja também que, neste nosso exemplo, você teve a prerrogativa de permitir ou não que o novo sócio participasse da gestão da empresa, pois é exatamente isso o que acontece quando uma empresa abre o seu capital. Ela convida novos sócios – geralmente milhares – para participar do negócio e pode, se quiser, permitir ou não que os novos sócios participem das decisões da empresa. Isso não quer dizer que esses novos investidores terão emprego garantido – eles apenas poderão votar nas assembleias de acionistas que ocorrem periodicamente ao longo da vida da empresa.

Ao abrir seu capital e admitir a entrada de milhares de sócios, a empresa não apenas consegue o dinheiro que necessita para seus investimentos como também dilui o seu risco, porque, se quebrar, o prejuízo será compartilhado entre milhares de investidores. A contrapartida é que, na hora de distribuir lucros, ela também terá que remunerar seus milhares de sócios, que ficarão com uma parte desse lucro.

Outra vantagem em se abrir o capital é que, caso a empresa seja bem administrada e tenha lucros crescentes ao longo dos anos, o preço das ações subirá, acompanhando o aumento do lucro. Isso é importante porque uma das formas de se encontrar o valor monetário de uma empresa é por meio da multiplicação do preço da ação pela quantidade de ações existentes. Isso será uma informação importante caso a empresa seja adquirida por algum conglomerado importante.

Além disso, a empresa com capital aberto e comercializada em Bolsa adquire visibilidade nacional e internacional, o que traz inúmeras vantagens diante de seus fornecedores, clientes, parceiros e colaboradores.

Vemos então que a abertura de capital apresenta diversas vantagens para a empresa e também para o país. Um mercado de capitais bem desenvolvido ajuda a proporcionar crescimento para todo o país, investidores e sociedade como um todo.