Como assim, ganhar na queda?

Sim, é absolutamente possível, além de algo corriqueiro entre os investidores, ganhar com os preços das ações em queda.

E o segredo para isso está justamente naquilo que você viu na aula anterior: o aluguel de ações.

E como funciona?

Bem, digamos que você estudou um determinado papel extensivamente e chegou à conclusão, pelas suas análises, de que o papel terá uma alta probabilidade de cair nas próximas semanas.

Essa sua análise pode ter sido feita por qualquer método, como análise técnica, fundamentalista, notícias ou uma combinação delas. O importante é que você tenha detectado uma chance de queda no ativo.

Digamos, por exemplo, que VALE3 está custando R$ 50,00 e você quer operar uma possível queda do ativo.

Você, então, entra no seu Homebroker e procura ações da VALE3 disponíveis para aluguel. Como VALE3 é um papel bastante líquido, você não terá dificuldades de encontrar quem queira alugar o papel para você em troca de uma pequena remuneração sob a forma de uma taxa de juros anual.

Não se preocupe, as taxas de juros cobradas costumam ser baixas para papéis mais líquidos.

Para fins desse exemplo e para facilitar os cálculos, vamos desprezar a taxa cobrada e nos concentrar na natureza da operação.

Você então resolve alugar, digamos, 1.000 ações da VALE3. Para isso, terá que deixar uma garantia em sua corretora, que ficará bloqueada pelo tempo que durar o aluguel. Essa garantia poderá variar e você precisará perguntar a eles ou ao seu assessor de investimentos qual o valor da garantia para essa operação.

Tão logo esteja com as ações que alugou, você as vende imediatamente.

Sim, você vai vender ações que não são suas, e, por isso, existe a exigência de garantia. Ao fazer isso, você colocará no bolso o valor de R$ 50.000,00 (vamos ignorar as taxas de corretagem para não complicar muito os cálculos, mas normalmente elas são bem baixas).

Nesse momento, o que você tem:

– R$ 50 mil reais.

– Uma dívida de 1.000 ações (independentemente do valor, você deve 1.000 ações VALE3).

Então, à medida que os dias se passam, e se você acertou em sua análise, VALE3 começa a cair.

Quando o papel atingiu o seu alvo – digamos, a título de exemplo, que o papel caiu para R$ 46,50 –, você vai ao mercado e recompra as 1.000 ações que estava devendo.

De posse das ações, você volta na corretora e devolve as 1.000 ações que o proprietário original lhe emprestou.

Note que você havia embolsado R$ 50 mil quando vendeu as ações e que agora, para recomprar aquelas mesmas 1.000 ações, você irá desembolsar apenas R$ 46.500,00 (afinal, o preço das ações baixou para R$ 46,50).

Quanto sobrou na sua conta?

Exatamente, você ficou com R$ 3.500,00 como resultado da operação, ou seja, você ganhou dinheiro com a queda do papel.

Desse valor, você terá, obviamente, que descontar as devidas taxas de corretagem e emolumentos, além do imposto de renda. No entanto, mesmo assim, sobrará um bom dinheiro ganho com uma operação bastante simples e eficaz.

Mas, e se o papel subir, ao invés de descer?

Bem, nesse caso, você deve colocar um stop na operação e arcar com o prejuízo.

Digamos que o papel subiu para R$ 51,00. Nesse caso, você recomprará as 1.000 ações e terá que desembolsar R$ 51.000,00. Seu prejuízo terá sido de R$ 1.000,00.

Por isso, para fazer esse tipo de operação, você deverá realizar uma análise bastante precisa e detalhada para não errar a sua avaliação. Mesmo assim, lembre-se que esse tipo de operação lida com probabilidades e, sim, você poderá errar. Por isso, a importância de se estabelecer um limite de perda na operação que não comprometa suas disponibilidades de capital.

A grande vantagem desse tipo de estratégia é que, se você souber executá-la, nunca mais ficará de fora do mercado quando ele estiver em queda. Afinal, o mercado é cíclico e passa, periodicamente, por períodos de queda.

Dessa forma, sabendo operar nas duas pontas – a comprada e a vendida –, você conseguirá otimizar seus ganhos no mercado de ações.