Se voltarmos às aulas de biologia, lembraremos que o DNA ou ácido desoxirribonucléico é um composto orgânico que, sequenciado, forma nossos genes. Este conjunto confere à todos os seres vivos e até mesmo à alguns vírus, características únicas que os tornam distintos de todos os demais seres.

Tomamos emprestado este conceito e denominamos DNA Operacional àquele conjunto de características que tornam o profissional de trading único, distinto e singular.

Na arte também é possível reconhecer este aspecto de exclusividade mas com um nome diferente: chama-se estilo. Mesmo que você veja um quadro sem saber quem o produziu, será capaz de reconhecer a autoria da obra apenas pelas suas características estéticas. Obras de Van Gogh, Jackson Pollock, Picasso ou Miró são reconhecidas mundialmente por seu estilo singular que se torna quase que uma assinatura do autor.

Embora no mundo artístico seja mais fácil reconhecer um estilo, em toda profissão é possível alcançar esse estágio em que as pessoas se distinguem e se destacam por conta de seu desempenho único.

No trading não é diferente. À medida que o tempo passa e a experiência se acumula, o trader começa a criar seu próprio jeito de operar, e o faz a partir de todas as técnicas que conhece, de sua vivência no mercado, de sua convivência com outras pessoas até mesmo de outras profissões que porventura tenha exercido. Nesse estágio, ele chega a se confundir com seu trabalho, ele é o próprio trabalho. Seu desempenho é único e ninguém será capaz de copiá-lo.

O estilo ou DNA Operacional é próprio de cada um. Por mais que tentemos reproduzir o jeito de alguém operar, nada trará tanto sucesso quando encontrar o nosso próprio DNA Operacional.

Isso ocorre porque, por mais que a teoria e os fundamentos do trading sejam os mesmos, e por mais que o mercado seja igual para todo mundo, o trader é constituído não apenas de seu conhecimento técnico mas também por toda sua vivência como ser humano.

Toda sua formação pessoal, moral, social, intelectual compõe seu sistema de crenças, valores e também o seu modo de pensar, agir e reagir aos eventos. Isso se reflete em suas atitudes e nas decisões que toma. E como as experiências de cada um são únicas, jamais haverão dois traders exatamente iguais. Cada um terá um estilo operacional único e distinto de todos os outros traders, ainda que se utilizem da mesma técnica, do mesmo setup.

Estilo próprio é algo que está diretamente ligado à criatividade. Resta-nos entender o que é a criatividade.

A definição mais conhecida de criatividade é a capacidade de efetuar conexões entre idéias de uma forma inédita ou inusitada com o objetivo de resolver problemas.

Quando, por exemplo, você está fazendo chocolate quente e se lembra que o amido de milho – aquele que sua mãe ou esposa usa para fazer molho branco – tem a propriedade de engrossar o leite, e resolve colocar um pouco dele no seu chocolate para engrossá-lo, está sendo criativo. Você foi capaz de ligar a idéia do leite mais espesso utilizado no molho com o leite mais espesso para deixar o chocolate um pouquinho mais gostoso.

Em qualquer área é possível ser criativo e, para isso, é necessário apenas que você possua uma boa base de conhecimento armazenada na sua cabeça. E como você faz isso? Expondo-se a muita informação.

Você já deve ter percebido que uma das atividades a que um trader mais se dedica é estudar. É característica dos traders de sucesso a curiosidade, o interesse, a vontade de saber, de estudar. Esta propensão leva a pessoa naturalmente a expor-se constantemente à todo tipo de conhecimento. E se ela for realmente curiosa em relação à vida, certamente terá interesse por muitas outras coisas.

Quanto mais coisas ela armazenar em sua memória, mais bloquinhos de informação estarão disponíveis para serem combinados de uma maneira inusitada, do mesmo modo como você combinou e uniu o bloquinho do amido de milho, o bloquinho do leite espesso, e o bloquinho do chocolate quente.

Transportando este exemplo para o mundo do trading, ser criativo é saber combinar técnicas, visão de mercado, gestão de risco, gestão financeira e domínio psicológico de formas inusitadas para, dada uma determinada situação ou problema, ser capaz de encontrar uma solução que gere os resultados desejados. E você só será capaz disso depois que tiver estudado muito, praticado muito e tentado muito.

No início, quando tudo ainda é obscuro e incerto, é interessante conhecer vários estilos operacionais de traders que já tenham alcançado a consistência. Mas com o tempo o ideal é que deixemos de seguir essas pessoas para que possamos abrir espaço para o desenvolvimento do nosso próprio estilo. Não adianta querer copiar o estilo do outro – cada um é cada um.

Mas você também não precisa preocupar-se em desenvolver um estilo próprio logo no início da carreira. O próprio processo de desenvolvimento de sua aprendizagem e de sua evolução como trader o levarão à descoberta do seu DNA Operacional. O importante é deixar fluir enquanto se dedica aos estudos e à prática das operações.

Você deve também ter em mente que isso tudo leva bastante tempo. Construir esse verdadeiro banco de dados mental levará tempo. Depois do contato inicial com determinada técnica ou conhecimento novo, você deverá memorizar, praticar, errar, corrigir o erro, acertar algumas vezes, alcançar novos patamares de utilização daquilo, até dominar aquele assunto, conhecimento ou técnica. E tudo isso deverá ser feito para cada coisa nova que você aprender, ou seja, o processo será demorado.

Por isso, além do seu DNA Operacional, procure também cultivar a paciência, a persistência e a motivação. Elas serão as ferramentas de base que permitirão que você alcance o sucesso desejado.