Curva de Aprendizado

É bastante comum as pessoas começarem no day trade fazendo projeções de ganhos como se estivessem investido na renda fixa. Contudo, a lógica por trás da renda variável é completamente diferente da renda fixa e os ganhos de cada investidor que toma risco são proporcionais à sua eficiência individual. Em outras palavras, você pode dar a mesma quantidade de dinheiro para dois traders operarem, os resultados serão completamente diferentes, pois cada trader opera de um jeito único. Portanto, se você pensa em fazer alguma projeção de ganhos, recomendamos primeiro criar um histórico operacional de pelo menos um ano e, a partir disso, baseado em sua própria trajetória, começar a estimar ganhos e perdas potenciais. Todo trader passa por um período de desenvolvimento até atingir consistência e é muito comum as pessoas se imaginarem já desenvolvidas, mas não em desenvolvimento. Por isso, vamos abordar alguns pontos cruciais para conduzir essa evolução rumo à consistência. Em primeiro lugar, vamos entender as principais fases de desenvolvimento de um trader:

  • Adaptação – neste período, o trader ainda não tem nenhuma experiência de mercado e tudo é novidade, desde a configuração e escolha da plataforma, abertura de conta na corretora, até a aplicação de técnicas de análise. Nesse período, é recomendável começar via simulador e depois operar com lote mínimo para, a partir da prática, absorver alguma experiência, conhecimento teórico e habilidades operacionais. É comum perder dinheiro nessa fase; portanto o trader precisa prestar muita atenção na gestão de risco. Ainda não é hora de ganhar dinheiro; aliás, essa fase serve para aprender a não perder muito dinheiro.
  • Desenvolvimento – passada a experiência inicial, com alguma habilidade prática em mãos, o trader passa pela fase mais árdua. É nessa fase que ele vai gastar muito do seu tempo, dinheiro e energia aprendendo, testando, frustrando-se, reaprendendo e adquirindo resiliência emocional. O processo pode ser cansativo, mas é essencial para a obtenção de resultados consistentes nas fases finais de desenvolvimento. Muitos desistem nessa fase, não pelas perdas, mas pelo "cansaço" ou desânimo com os resultados. Por isso, é imprescindível ter o acompanhamento de quem já passou por isso e pode orientar o desenvolvimento com um bom plano de ação e os gatilhos emocionais que vão garantir resiliência psicológica ao trader.
  • Baques e turbulências – quando o trader iniciante começa a ganhar alguma consistência nos resultados ainda é bastante comum ele "tropeçar" em alguns pontos operacionais, estratégicos e emocionais. Os resultados ainda oscilam, o que pode abalar a confiança do trader ou conduzi-lo a erros fatais, capazes de tirá-lo do jogo em um único dia. Isso pode ocorrer por excesso de confiança ou por negligência em relação à parte emocional e de gestão de risco; por isso, mais uma vez, é imprescindível a orientação vinda de traders mais experientes.
  • Consolidação – nessa fase, ao contrário do que muitos iniciantes pensam, ainda ocorrem operações perdedoras. No entanto, a essa altura, o trader já está "blindado" do ponto de vista emocional e de gestão de risco. Dificilmente, um trader já consolidado coloca tudo a perder em poucas operações ou ainda fica emocionalmente abalado, desorientado. Além disso, a bagagem técnica já é maior a ponto de se adaptar a diferentes mercados, o que garante ganhos consistentes a partir disso. E isso só acontece porque todas as fases anteriores serviram para preparar o trader para esse momento. Infelizmente, não existe atalho.

Uma vez que entendemos os principais pontos dessa curva de aprendizagem, vamos abordar algumas dicas para conduzir essa evolução:

  • Tenha pontos claros (partida e chegada) – é importante o trader iniciante compreender muito bem os seus recursos: financeiros, disponibilidade de tempo e conhecimento já adquirido. Somente a partir disso é possível entender melhor onde se quer chegar e, principalmente, como traçar uma linha clara de metas e prazos para atingir seus objetivos.
  • Faça um plano de ação – esse plano de ação deve conter todo o planejamento financeiro (margens, gastos com plataformas, treinamento, "gordura" para cobrir perdas financeiras nos trades, etc), de estudos (técnicas e conhecimentos que precisam ser dominados) e operacional (quantas operações executar, stops admitidos, metas, métodos de gerenciamento de risco, etc).
  • Reserve um capital – planejar a carreira de trader, ainda que seja para atuar como atividade secundária, é como planejar abrir um negócio. É preciso estudar o seu campo de atuação, estabelecer metas e prazos, investir tempo e dinheiro em aprendizado (pois esse será seu atalho mais curto), criar um plano de ação e dimensionar o capital para que tudo isso seja viabilizado.

Montar um plano de ação não é tão simples, principalmente quando se trata de uma atividade que ainda não dominamos plenamente todos os requisitos. Por isso, na próxima aula, falaremos disso com mais detalhes.