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O que é bitcoin e como funciona? Confira dicas para investir!

Bitcoin: de onde vem, por que faz tanto sucesso, como investir… As respostas para o que é bitcoin, como funciona e outras perguntas você encontra aqui, neste artigo.

Criptomoedas Nov 04, 2021

O que vamos discutir neste post?

Há algum tempo é só disso que se fala: Bitcoin, Bitcoin e Bitcoin. E não é à toa: segundo o registro da Blockchain, ao todo foram feitas mais de 670 milhões de transações em Bitcoin.

No entanto, popularidade nunca foi sinônimo de harmonia, clareza e consenso.

Todo dia aparece alguém dizendo que você deve investir em Bitcoin o quanto antes — ou que você nunca deve colocar seu dinheiro nesse ativo.

Uns juram que Bitcoin é uma bolha e logo logo vai estourar. Outros, que sua valorização ainda nem começou.

Tem quem afirme que é teoria da conspiração, uma trama oculta para instaurar um governo mundial — e há quem advoga que o Bitcoin diminui o poder estatal.

Nessa obscura confusão de opiniões, gritos e ataques eufóricos, quero oferecer um pouco de luz, estabilidade e conhecimento, sem fanatismo.

Se é isso que você está procurando, então vai querer imprimir este artigo que está prestes a ler.

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Afinal, o que é Bitcoin e como funciona?

Bitcoin é uma criptomoeda que foi criada em 2009 por um programador anônimo conhecido por Satoshi Nakamoto.

Essa foi a primeira moeda criptografada do mundo, ou seja, a primeira moeda que utiliza cifragem de dados para embaralhar suas próprias informações, o que confere mais segurança aos seus donos.

Essa segurança impede, por exemplo, que hackers identifiquem uma transação de Bitcoin entre contas e consigam mudar o destinatário, pegando toda a quantia para si mesmos.

Inicialmente, Satoshi Nakamoto idealizou o Bitcoin para ser uma moeda de transferências internacionais, uma solução às taxas e ao tempo que pagamentos internacionais levavam na época.

Como o Bitcoin é uma moeda descentralizada, nenhum banco faria a mediação entre os negociantes, e os pagamentos poderiam ser feitos imediatamente, por meio de um simples clique.

Contudo, realizar pagamentos provou não ser o seu melhor uso. Vou explicar o porquê disso, mas, antes, preciso explicar como funciona a “produção” de Bitcoin.

Como novos Bitcoins surgem?

Quer gerar novos Bitcoins? Vai ter que minerar…
Quer gerar novos Bitcoins? Vai ter que minerar…

O processo para criar novos Bitcoins é conhecido como Mineração. Mas não tem nada a ver com picaretas batendo em pedras: é uma mineração em programação.

A mineração consiste em realizar complexos cálculos matemáticos por meio de computadores.

Para esses cálculos serem concluídos, é preciso que o computador utilize uma certa quantidade de energia, de força de processamento.

Sempre que essa quantidade é alcançada, um novo bloco de Bitcoins é minerado. O tempo de mineração para um novo bloco leva sempre em torno de 10 minutos, porque foi o tempo que Satoshi determinou quando criou a moeda.

Se o sistema percebe que um novo bloco foi gerado em menos de dez minutos, os problemas matemáticos ficam mais difíceis, para que seja alcançado o tempo ideal.

Mas, se fosse somente isso, então tudo bem, pois poderíamos fazer quantas Bitcoins quiséssemos, basta esperar o tempo necessário, não é? Infelizmente, não.

O sistema demanda cada vez mais quantidade de energia dos computadores a cada bloco de Bitcoin que é liberado. Mas não só isso. A cada quatro anos, a produção de Bitcoin diminui pela metade!

Em 2009, cada bloco minerado gerava 50 Bitcoins. Quatro anos depois, esse número caiu para 25 Bitcoins.

Após mais quatro anos, foi para 12,5; e atualmente, em 2021, apenas 6,25 Bitcoins são minerados a cada dez minutos.

Estima-se que no ano de 2140 todos os blocos serão minerados e chegaremos ao limite de Bitcoins: 21 milhões.

Em resumo, cada vez é mais difícil minerar Bitcoins, pois isso exige muita energia e equipamentos, e cada vez menos Bitcoins são liberados.

Cada vez é mais trabalho para menos resultado. Tanto que, hoje, apenas empresas gigantes, com muita infraestrutura tecnológica e muita energia à disposição, conseguem minerar Bitcoin.

Porém, se essa é a realidade atual, no início era bem diferente.

Inicialmente, qualquer notebook minerava Bitcoin.

O próprio Satoshi, ao que parece, minerou cerca de um milhão de Bitcoins quando tudo era mato — essa é uma das razões que nos faz crer que Satoshi Nakamoto é um pseudônimo e que ele nunca revelará sua identidade, pois muitas organizações devem estar interessadas em sua fortuna.

Temos, ainda, outros casos (mais trágicos) de milionários do Bitcoin, como o de James Howells, que minerou 7500 Bitcoins quando a moeda valia quase nada, mas jogou fora o HD que continha as senhas que liberam o uso das Bitcoins.

Hoje, o pobre coitado ronda aterros sanitários da Inglaterra, em busca do HD bilionário perdido.

Entendido como funciona o Bitcoin, podemos esclarecer por que o Bitcoin falhou em ser uma moeda de pagamentos internacionais: não há liquidez e as taxas são altas.

Somente quando um bloco é minerado que novas transações podem ser realizadas, e essas transações são limitadas.

Se muitas pessoas decidirem utilizar Bitcoin ao mesmo tempo, pode ser que você tenha que esperar horas para finalizar a operação.

Além disso, quando há muita procura por realizar transações, como transformar Bitcoin em reais, por exemplo, as taxas das corretoras sobem muito, que podem ser muito mais altas do que o valor que pretende transferir.

É como se você tivesse que esperar 5 horas para sacar R$10 e ter que pagar uma taxa de R$300 por isso. Obviamente, não vale a pena.

Então, afinal, qual a real utilidade do Bitcoin? Reserva de valor. Mas nós falaremos sobre isso mais abaixo, no tópico “Vantagens”.

Agora, é hora de falarmos sobre o local onde são registradas todas as movimentações de Bitcoin: o blockchain.

O que significa blockchain?

Blockchain: o livro contábil em que todas as transações de Bitcoin se conectam.
Blockchain: o livro contábil em que todas as transações de Bitcoin se conectam.

A tradução para “blockchain” é “cadeia de blocos”, e, na prática, ele é como um caderno de registros, onde todos os blocos de Bitcoin minerados ficam registrados para sempre, desde o início da moeda — inclusive, é graças a ele que podemos ver as possíveis transações de Satoshi, que mostram que ele pode ser uma das pessoas mais ricas do mundo.

Porém, a identidade do operador sempre é preservada, pois somente códigos ficam à disposição da consulta, e como o Bitcoin é protegido por criptografia, será muito difícil descobrir algo na blockchain.

Você pode conferir transações em tempo real no site do Blockchain, clicando aqui.

Funciona mais ou menos assim: eu faço uma transação para um amigo, o que gera uma peça (vamos chamar assim o código que identifica que eu fiz essa transação).

Uma vez que essa peça é validada pelo sistema, isto é, uma vez que o sistema identificou que está tudo dentro das normas e não há tentativas de fraude, a peça será integrada a outras peças de outros operadores, formando um bloco.

Esse bloco fica registrado no blockchain e ganha um código. No entanto, quando ele entra no blockchain, ele entra depois de outro bloco, e pega uma parte do código desse bloco anterior para criar o seu próprio código.

Dessa forma, se alguém tentar burlar as regras em um bloco, o código ficará alterado e veremos que ele não possui o código correto de acordo com o bloco anterior. Seria mais ou menos como a imagem abaixo:

Ilustração de sequências de blocos no blockchain, uma correta e outra com tentativa de fraude.
Ilustração de sequências de blocos no blockchain, uma correta e outra com tentativa de fraude.

Uma vez que as transações são confirmadas, nunca mais poderão ser alteradas, pois isso iniciaria um erro em cadeia e o sistema provavelmente travaria.

É por isso que o Bitcoin é considerado tão seguro, pois além de reservar sua identidade, impede que suas moedas sejam roubadas, mesmo durante uma transação, e você ainda pode conferir o registro.

Pode ser que o tempo para uma transação ser realizada demore bastante (como vimos, há um limite para cada bloco minerado), porém, uma vez que foi dada a ordem, ela não pode ser desfeita.

Todos os dias, milhões de reais são movimentados com Bitcoin, e tudo isso acontece anonimamente e, aparentemente, de forma muito segura.

Há entre os fãs de Bitcoin, inclusive, o famoso Pizza Day, a comemoração do dia 22 de maio de 2010, quando duas pizzas foram compradas por 10.000 Bitcoins. Quer saber quanto essas pizzas custariam hoje em dia? Veremos no próximo tópico.

Quanto vale um Bitcoin?

Então, em 2010 as pizzas mais caras do mundo foram vendidas. Laszlo Hanyecz, um programador de Bitcoin, fez uma publicação em um fórum de Bitcoin oferecendo 10 mil moedas a quem lhe entregasse duas pizzas grandes, com cebola, pimentão, cogumelo, linguiça, tomate e algumas coisas a mais. E ele de fato comprou as pizzas.

Na época, um Bitcoin valia R$0,0017, então as pizzas custaram R$170 reais. Mas no dia em que este artigo foi escrito, as pizzas teriam sido pagas por exatamente R$2.511.058.900. Sim, dois bilhões e meio de reais em duas pizzas. Surreal!

Mas por que esse ativo tem valorizações tão astronômicas?

Gráfico do crescimento do valor do Bitcoin em toda sua história.
Gráfico do crescimento do valor do Bitcoin em toda sua história.

Não é tão fácil responder. Na verdade, existem vários motivos, como ser escasso, descentralizado, não deteriorável e ser aceito globalmente; mas nós abordaremos esses pontos no tópico “Vantagens”.

Por enquanto, podemos dizer que o Bitcoin vale muito porque tem um valor intrínseco. Ele vale por si mesmo, podemos dizer. Há um valor atrelado a ele simplesmente pelo que ele é.

Veja bem, o Bitcoin

  1. Não pode ser confiscado;
  2. Não pode ser produzido aos montes e tem limite de produção total, ou seja, não sofre inflação;
  3. Não pode ser alterado;
  4. Não precisa estar fisicamente presente com você em uma carteira; e
  5. Pode ser transferido para outros locais do globo terrestre, sem intermediação.

Agora olhe para você, brasileiro, que usa uma moeda frágil, que já sofreu tanto com problemas que vão desde a hiperinflação até o próprio confisco das poupanças; você não acha interessante ter uma reserva em Bitcoin?

Então, muitas pessoas acham, tanto que grandes empresas, como a Tesla, já possuem grandes quantias alocadas em Bitcoin (em fevereiro deste ano, 2021, a companhia investiu 1,5 bilhões de dólares em Bitcoin).

Portanto, mesmo com todas as oscilações, que se mostram comuns às criptomoedas em geral, o Bitcoin é um ativo que por si próprio chama muita atenção e é muito valorizado. Diante desses fatos, talvez você esteja ficando interessado em começar a destinar uma parte do seu patrimônio ao Bitcoin. Como eu sabia que isso poderia acontecer, destinei alguns tópicos para falarmos do investimento nesta moeda. Vamos lá!

É seguro investir em Bitcoin?

Como você já sabe, o sistema de segurança do Bitcoin é criptografado. Toda essa criptografia está na cadeia de blocos (blockchain) interligados, como em uma fila indiana.

Se um hacker quisesse minerar Bitcoins ilegalmente ou roubar Bitcoins de outras pessoas, ele teria que decifrar a criptografia de um desses blocos.

Até aí, tudo bem. Porém, para decifrar a criptografia de um bloco, ele teria que decifrar a criptografia do bloco anterior, que está interligado ao primeiro, e assim sucessivamente.

Ou seja, o hacker precisaria ficar em um ciclo infinito de descriptografia, e provavelmente seria identificado e expulso antes que pudesse fazer muita coisa. Então, sim, o Bitcoin, no seu próprio funcionamento, parece ser bem seguro.

Mas a pergunta que iniciou este tópico quer saber se investir em Bitcoin é seguro, não se ele é seguro por si mesmo. Bom, aí a história é diferente…

Podemos dizer que os riscos de investir em Bitcoin estão muito relacionados à intermediação

Enquanto no mercado de ações as corretoras de valores são fortemente reguladas, no universo das criptomoedas existem tanto empresas sérias e seguras quanto instituições de reputação duvidosa.

Aqui, não considero os riscos de volatilidade, pois disso você já deve estar ciente, mas considero que escolher a corretora por meio da qual você investirá em Bitcoin seja uma decisão importantíssima.

Muitas corretoras novas surgiram com a febre do Bitcoin, e muitas delas são sérias e prestam um ótimo serviço.

Porém, sempre temos os aproveitadores, os vigaristas, os criminosos, que a todo custo buscam enganar os mais desavisados e tomar deles grandes quantias. Para evitar cair em suas armadilhas, tenho duas dicas.

Primeira: informe-se o máximo possível. Converse com quem já investe, busque avaliações na internet, leia bem as propostas de cada corretora… enfim, conheça bem o terreno antes de plantar suas sementes.

Segunda: crie sua conta nas corretoras por meio do computador, na web, e não por meio de aplicativos da AppStore ou Google Play Store, a não ser que você tome bastante cuidado.

Muitos programadores criam aplicativos quase idênticos aos das corretoras mais famosas, e esses aplicativos falsos por vezes aparecem no topo das pesquisas das stores.

Se você instalar algum deles, provavelmente todos os seus dados serão roubados debaixo do seu nariz e, futuramente, ao realizar um pagamento em Bitcoin, talvez você perceba que o pagamento foi para uma conta diferente daquela que você queria — e depois que você confirma a operação, não há mais nada a se fazer.

Tendo em mente esses cuidados que devem ser tomados, podemos ir um pouco mais fundo sobre os investimentos em Bitcoin.

Investimento em Bitcoin: entenda como funciona

Hoje em dia, existem 3 formas de investir em Bitcoin.

1) Comprando unidades ou frações de Bitcoin. Essa é a única forma de você realmente ter Bitcoins em sua posse.

2) Investindo em ETFs de Bitcoin. Aqui, você não está propriamente comprando Bitcoin, mas investindo em um fundo de índice, como o HASH11 e o QBTC11. Uma das desvantagens de optar por essa forma de investimento é o imposto de renda de 15% no lucro + uma taxa de administração paga para a corretora.

E o ponto positivo é que você pode realizar esse investimento por corretoras convencionais.

Se quiser mais informações sobre os ETFs, recomendo que acesse o artigo sobre O que são ETFs que o nosso professor Augusto Andrea escreveu, esclarecendo tudo sobre esse tipo de ativo.

3) Investindo em Fundos de Investimento em Bitcoin. Tal como os ETFs, aqui você não compra Bitcoin, você apenas investe em um fundo que varia de acordo com a variação do Bitcoin mais outras criptomoedas, que é o caso do HASHDEX NCI 20.

Algumas pessoas nem consideram essa uma forma de investir em Bitcoin, ou consideram a forma menos arriscada, pois, em um fundo de investimento, apenas 20% pode estar alocado em criptomoedas, e o resto fica em renda fixa.

Dessas 3 formas de investir em Bitcoin, talvez a mais vantajosa seja a primeira, pois, dessa forma, você investe apenas em Bitcoin, e não em outras criptomoedas ou em renda fixa ao mesmo tempo.

Mas, diante disso, pode surgir uma dúvida: “quanto eu preciso desembolsar para comprar Bitcoin?”.

Afinal, hoje, o preço de um Bitcoin está na casa dos 250 mil reais, e poucas pessoas possuem essa quantia disponível. Para responder essa pergunta, dediquei o próximo tópico inteiro.

Existe valor mínimo para investir em Bitcoin?

A resposta para essa pergunta é um certeiro depende.

Não há nenhum valor estipulado pelo sistema bitcoin para realizar um investimento, mas as exchanges, que são as corretoras de criptomoedas, podem fixar valores mínimos para você fazer seu primeiro aporte.

De todo modo, pode ficar tranquilo, você não terá que comprar um Bitcoin inteiro se quiser destinar parte do seu patrimônio a essa moeda.

Há muito tempo, quando o ouro era usado comercialmente, havia uma dificuldade em alcançar os valores dos produtos que eram comprados.

Por exemplo, era muito difícil ter uma pepita de ouro que valesse exatamente um saco de arroz, um saco de batatas etc.

Por isso, a prata era usada para o comércio miúdo e cotidiano, enquanto o ouro ficava para as grandes negociações. O Bitcoin já possui um mecanismo que evita esse problema.

É possível particionar o Bitcoin em Satoshis. Um Satoshi equivale a 0,00000001 Bitcoin.

Nos dias de hoje, isso vale cerca de 0,0025 reais. Então, você poderia usar Bitcoin para comprar praticamente qualquer coisa, de balinhas de menta a mansões, e há lojas comuns, inclusive, que já aceitam Bitcoin.

Algumas exchanges brasileiras delimitam um mínimo de apenas R$20,00 para começar a investir em Bitcoin, e há outras, no exterior, que delimitam iniciar em apenas 1 dólar.

Quantia mínima, portanto, não é um problema na hora de comprar Bitcoin. Resta saber, portanto, como fazer para comprar essa moeda.

Como é o processo de comprar Bitcoin?

Para realizar uma compra de Bitcoin, você precisa criar uma conta em uma corretora de criptomoedas (exchange).

O processo é o mesmo que investir em ações: você transfere dinheiro do seu banco para a corretora e realiza a compra.

Hoje em dia, investir em Bitcoin está cada vez mais descomplicado, e até existem corretoras que realizam a compra que você quer e só pedem o seu pagamento no dia seguinte.

Porém, nem tudo neste mundo é tão simples quanto parece, e você precisa tomar uma série de cuidados para investir em Bitcoin de forma mais segura. Que tal falarmos um pouco mais sobre isso?

4 Dicas para investir em Bitcoin de forma segura

Além do que você leu aqui, sobre os cuidados na hora de escolher a sua corretora, vale ressaltar outros pontos de atenção, como diversificação, perfil de investidor e estratégias de investimentos.

Diversificação

Nunca invista todo seu dinheiro em um único ativo — incluindo Bitcoin.
Nunca invista todo seu dinheiro em um único ativo — incluindo Bitcoin.

O Bitcoin é um ativo extremamente volátil.

Na semana em que escrevo este post (outubro de 2021), só para você ter uma ideia, ele foi de 228 mil para 253 mil reais a unidade.

Por isso, não mergulhe de cabeça nesse ativo, muito menos se você ainda conhece pouco sobre ele.

Talvez algo abaixo de 3% do seu patrimônio já seja suficiente (isso não é uma recomendação de investimento!), pois não é uma quantia tão expressiva.

Muitos investidores experientes acham interessante destinar uma parte do seu capital para Bitcoin, nem que seja para “ver no que vai dar” futuramente, mas, repito, se você não sabe o que está fazendo, destine uma parte bem pequena.

Descubra seu perfil de investidor

O mundo dos investimentos é extremamente inclusivo. Ele tem lugar para investidores arrojados e conservadores, para quem mergulha de cabeça e para quem prefere diversificar, para quem compra e vende no mesmo dia e para quem investe para nunca mais mexer no dinheiro.

Analisando as características do Bitcoin, o perfil de quem investe neste ativo é algo como alguém que: se mantém tranquilo mesmo com grande volatilidade, gosta de testar novas formas de investimento e não acredita em ganhos fáceis e instantâneos no mercado de investimentos.

Se você está mais ou menos incluído nessas características, talvez você tenha o perfil para investir em Bitcoin.

Recomendo que busque se conhecer melhor e entender qual o seu verdadeiro perfil de investidor. Temos uma aula gratuita dentro do Plano TNT que pode ajudar você: Como saber se eu tenho perfil para ser trader.

Defina o seu plano estratégico

Back to basics. Ter uma estratégia de investimentos é coisa básica, igual aprender matemática com feijões — isso não quer dizer que seja simples.

Você precisa planejar os seus investimentos, quanto tempo pretende ficar com eles, quando vai comprar e quando vai vender (se vender), qual parte cada ativo terá na sua carteira de investimentos, quanto você pretende investir por mês, qual a projeção de cada ativo para o futuro, qual a projeção do seu patrimônio para o futuro, etc., etc., etc.

Fazer isso é chato? Pode ser. É trabalhoso? Sim, um tanto. É dispensável? Se você quiser… Agora, definir o plano estratégico, na maioria das vezes, é o primeiro passo para começar a investir bem. E, como disse Aristóteles, pequenos erros no início tornam-se grandes ao fim. Começe do jeito certo. Back to basics.

Tenha uma wallet

Para a sorte de todos, o Bitcoin não necessita de cofres gigantescos.
Para a sorte de todos, o Bitcoin não necessita de cofres gigantescos.

Ok, você comprou suas primeiras Bitcoins. Afinal, onde elas estão? Primeiro de tudo, você precisa entender que um Bitcoin não existe materialmente.

Você não pode pegar em um Bitcoin. Essa moeda é o resultado de um conjunto de combinações matemáticas virtuais.

Você não pode pegar um Bitcoin, mas pode acessá-lo na internet, por meio de senhas e códigos.

Essas senhas e códigos, por sua vez, ficam armazenados em Hot Wallets ou em Cold Wallets — carteiras virtuais e carteiras físicas, respectivamente.

Uma Hot Wallet geralmente é utilizada para armazenar senhas que acessam valores menores de Bitcoin, aqueles que você pode usar no seu dia a dia para fazer compras e transações.

Apesar de contar com uma enorme segurança em criptografia, essas carteiras virtuais ainda assim podem ser hackeadas, por isso é interessante destinar a elas valores menores.

Já as Cold Wallets, as carteiras físicas, são como pen drives onde você guarda as suas senhas.

São praticamente impossíveis de serem hackeadas e, por isso, recomenda-se colocar a maior parte do seu patrimônio em Bitcoin nelas.

Desconsiderando ataques de hackers, que são praticamente impossíveis de serem bem sucedidos contra a criptografia, pode-se dizer que a única forma de perder seus Bitcoins é perdendo suas senhas.

Aliás, estima-se que, hoje em dia, em torno de 4 milhões de Bitcoins estão perdidos para sempre, pois seus donos perderam as senhas ou morreram sem deixá-las com alguém.

Agora que você já sabe tudo o que é preciso para investir em Bitcoin, que tal sermos mais diretos e elencar os riscos e as vantagens deste ativo? Bora!

Quais as vantagens de investir em Bitcoin?

Ao longo deste artigo, você pôde conhecer algumas vantagens e alguns riscos de investir em Bitcoin, que fui citando aqui e ali.

Mas, agora, quero deixar tudo em ordem, assim você pode montar um esquema mais visível na memória e voltar nesta seção sempre que ficar com alguma dúvida. Então, comecemos pelas vantagens!

Em tópicos anteriores, eu citei que essa moeda é escassa, é descentralizada, é aceita globalmente, é não deteriorável, serve como reserva de valor e possui um valor intrínseco a ela.

Porém, só abordei o último ponto, do valor intrínseco, que se deve às suas próprias características. Agora, chegou o momento de abordar todos os outros pontos em detalhes, iniciando pela escassez.

Escassez

Quando Satoshi Nakamoto criou todo o sistema bitcoin, ele determinou, pelo cálculo matemático, que só seriam minerados 21 milhões de Bitcoins.

Ou seja, o Bitcoin não sofre inflação, pelo menos não igual às moedas comuns, pois todas elas podem ser produzidas a partir de uma ordem governamental, e o Bitcoin não pertence a ninguém.

Como não é possível produzir Bitcoin loucamente — como vemos ser feito com moedas de países como Venezuela, Argentina e até mesmo o Brasil — a tendência é que ele valorize cada vez mais, caso a procura aumente.

Imagine, por exemplo, que cada um dos 56 milhões de milionários do mundo inteiro quisesse ter um Bitcoin inteiro para si.

Eles teriam que disputar a ferro e fogo, e isso aumentaria muito o valor da moeda. Escassez, portanto, é algo positivo para a valorização do Bitcoin, pois aumenta a demanda e impede a inflação.

A propósito, existe um país que adotou o Bitcoin como moeda oficial. Estou falando de El Salvador, país da América Central, cuja moeda (colón salvadorenho) foi tirada de circulação devido à inflação, substituída pelo Dólar e, agora, também pelo Bitcoin.

Aparentemente, essa foi uma medida bastante estranha para um governo, que deveria ser contra o Bitcoin, já que ele é descentralizado.

Mas que tal falarmos sobre isso no tópico seguinte?

Descentralização

Os governos estão de olho no Bitcoin — e não é sem motivo…
Os governos estão de olho no Bitcoin — e não é sem motivo…

Todas as moedas fiduciárias do mundo são centralizadas. É o Real, o Dólar, o Euro etc. Essas moedas se apoiam em uma garantia mútua entre as pessoas de uma sociedade que “aceitam” que elas têm valor. Uma nota de 10 reais, por si só, possui pouco valor.

Ao lado de uma nota de 100 reais, elas são a mesma coisa: papel.

Porém, o Governo Brasileiro dá uma garantia de que essas notas valem algo, e não qualquer nota produzida por qualquer pessoa.

Uma vez que a população aceita isso, pronto, temos uma moeda. Essa moeda, que tem valor extrínseco e não intrínseco, é controlada pelo governo.

Se ele quiser produzir mais, produzirá.

Porém, com o Bitcoin não é assim. Nem um governo, nem uma instituição privada, nem eu e nem você pode controlar a produção de Bitcoin, e isso só é possível porque o Bitcoin é 100% virtual.

Voltando ao exemplo do ouro, se você quisesse mandá-lo para outro país, primeiro você deveria depositá-lo em um custodiante.

Feito isso, você recorreu à centralização e, querendo ou não, seu ouro está em risco.

Mas com o Bitcoin você não recorre a ninguém para fazer uma transação. Ninguém tem controle sobre o seu valor, sobre a sua produção e, muito menos, sobre as transações que já foram feitas.

O governo pode obrigar um banco a estornar um depósito, mas não pode recorrer a ninguém para desfazer uma transação de Bitcoin.

Bitcoin, portanto, parece ser sinônimo de menos poder aos governos e mais liberdade para pessoas comuns.

Isso explica por que alguns países determinaram que Bitcoin e outras moedas criptografadas são proibidas em seu território.

É o caso de Arábia Saudita, Marrocos, Egito, Vietnã, Bolívia, Equador e Bangladesh. Já que estamos falando sobre a aceitação do Bitcoin, podemos passar para o próximo tópico.

Aceito globalmente

“Como assim ‘aceita globalmente’? Você acabou de falar que diversos países não aceitam Bitcoin!” É verdade, alguns países não permitem essa moeda.

Porém, a maioria dos outros países aceitam, e nos mais desenvolvidos o uso de Bitcoin está cada vez mais comum.

É claro que isso está só começando, e é possível que muitos países ainda proíbam ou regularizem o Bitcoin, principalmente aqueles mais autoritários e instáveis.

No entanto, hoje ainda é possível enviar Bitcoin para quase todo canto do planeta de forma segura e anônima.

Não deteriorável

Como eu disse anteriormente, o Bitcoin é uma moeda 100% virtual e, portanto, impossível de deteriorar.

Se você tiver 1 Bitcoin, você pode deixá-lo de herança para os tataranetos dos seus tataranetos sem muitas preocupações.

Reserva de valor

Finalmente, chegamos na finalidade que muitos atribuem como sendo a principal do Bitcoin: ser uma reserva de valor.

Como essa moeda falhou em servir para pagamentos cotidianos, por ter altas taxas e longo tempo de espera (o PIX é muito mais vantajoso, nesse sentido), a opção de muitos investidores é simplesmente investir em Bitcoin na modalidade Buy and Hold.

Há gestores que acreditam que o Bitcoin ainda vai valorizar muito, e que mesmo com preços altíssimos como os atuais vale a pena investir. É o caso de Cathie Wood, que aposta na meta de US$500.000 para o Bitcoin.

Mas como todo ativo, o Bitcoin não apresenta somente vantagens, e se você está quase se convencendo em colocar seu dinheiro nessa moeda, segure a carteira no bolso por mais alguns minutos, pois é hora de falar sobre os riscos de investir em Bitcoin.

E quais são os Riscos de investir em Bitcoin?

Acho que o tópico “Vantagens” já deixou claro alguns riscos de investir em Bitcoin, como a perseguição governamental.

Se houvesse uma proibição hoje, no Brasil, para não serem presas muitas pessoas teriam que se livrar de suas moedas, transformando-as em reais, ou mandando-as para contas em outros países.

Além disso, a volatilidade do Bitcoin é um risco grande, mas que todo investidor em renda variável já deve estar acostumado.

Também há o problema sobre o qual já comentei, das fraudes e dos aplicativos que hackers criam para roubar dados.

Inclusive, recomendo que busque ajuda de alguém que entende de segurança de dados antes de comprar seus Bitcoins, para garantir que ocorra tudo bem.

Enfim, são riscos que podem parecer banais e pouco importantes, mas é só você se propor cenários em que eles são levados ao extremo para perceber como são graves.

E se o Governo Brasileiro proibisse Bitcoin e organizasse um confisco dessa moeda, mandando prender aqueles que fizessem transferências para o exterior e não entregassem seus investimentos? Pensar assim é loucura? Pode ser. Mas esses acontecimentos, ainda assim, são uma possibilidade.

E se, no momento em que você investir seu dinheiro em Bitcoin, o Elon Musk fizer um pronunciamento, afirmando que não investirá mais na moeda? Provavelmente o preço despencará — e o que você fará diante disso?

E se você tiver seus dados hackeados e perder tudo que colocou em Bitcoin? Game over.

Além de tudo isso, há um outro risco, que a maioria das pessoas despreparadas ignora: o risco da nossa própria mente.

Ele não está atrelado diretamente ao Bitcoin, é verdade, mas ele é importante demais para não ser citado neste artigo.

A sua mente pode sabotar suas decisões, pode criar lindos cenários onde tudo dá certo e tirar a possibilidade de uma análise racional de um ativo.

E também pode tornar tudo escuro e impossível, impedindo a tomada de decisão.

Se quiser se preparar mentalmente — não só para os investimentos, mas para as diversas situações que a vida nos apresenta — recomendo o nosso novo Curso de Psicologia para Traders, que acabou de sair do forno.

Então, pense em tudo que você leu nestes últimos tópicos e decida: você está pronto para investir em Bitcoin?

Você vai mesmo investir em Bitcoin? Quanto vai investir, 1%, 2%, 5%, 10% do seu patrimônio? Qual exchange vai usar e por quê? Enfim, calcule os pesos e as medidas.

O que podemos esperar do futuro?

Infelizmente, ainda não inventaram bolas de cristal para Bitcoin.
Infelizmente, ainda não inventaram bolas de cristal para Bitcoin.

O que esperar de uma criptomoeda 100% virtual, descentralizada, escassa e que pode variar milhares de dólares em um dia? Não tem como saber.

Eu não ficaria surpreso se alguns países começassem a estimular o Bitcoin, e também não me surpreenderia se outros o proibissem ou o regulamentassem.

Também acho que esse universo das criptomoedas está só começando, e cada vez mais veremos novas criptomoedas surgindo no mercado (hoje em dia, são mais de 6000 criptomoedas no mundo todo).

Não quero fazer nenhuma adivinhação futura, até porque isso, no mercado, é inviável.

Mas eu sei de uma coisa: quem tem conhecimento se dá bem em qualquer cenário. Seja na queda ou na subida, ao lado dos touros ou dos ursos, quem sabe o que fazer garante o seu peixe.

Por isso, convido você a aprender mais sobre investimentos, desde o mais básico até aqueles conhecimentos que somente livros muito técnicos proporcionam, tudo isso na nossa área Aprenda.

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Conclusão

Neste artigo você recebeu um panorama geral de todas as informações essenciais sobreo que é bitcoin e como funciona.

Se quiser começar a investir hoje, você já sabe por onde começar. Mas se percebeu que ainda precisa de mais profundidade nesse assunto, sorte a sua, porque você começou no lugar certo!

Com tudo o que você leu, você já é capaz de mapear os pontos que você precisa conhecer de perto para investir em Bitcoin.

Se quiser um direcionamento nesse assunto, indico o outro artigo aqui do Portal do Trader: Como investir em Criptomoedas: Conheça as Opções e Vantagens.

No mais, espero que você tenha curtido este artigo. Se for o caso, continue aqui para conferir as próximas publicações e aproveite o conhecimento disponível na Área Aprenda.

Um forte abraço e nos vemos no mercado!

Categorias

Eduardo Becker

Físico de formação e trader desde 2005, atuando principalmente com Price Action. É professor da B3 e da FECAP.

Espero que você aprenda com esse artigo.

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