Do chão não passa, mas nem sempre

Suportes e resistências – essas duas palavras estão entre as mais frequentemente pronunciadas no mundo do trading. E não é à toa – suportes e resistências são regiões de preço decisivas para a maioria das operações.

O suporte pode ser entendido como uma região onde o preço apresenta dificuldades para ultrapassar quando está em queda. É como se houvesse um chão ou uma rede de proteção. O preço chega por ali e fica tentando ultrapassar, mas não consegue descer muito além daquele ponto.

Já a resistência apresenta o mesmo conceito, só que para preços que estão subindo. É como se houvesse um teto ou telhado que dificulta a passagem do preço para além daquela região.

Suportes e resistências mostram ao trader até quais níveis de preço os grandes players estão dispostos a comprar ou a vender. É uma espécie de "daqui não passa" e, por isso mesmo, funcionam muito bem como pontos de reversão e também como alvos para as operações.

Visualmente, não é difícil reconhecer essas regiões. Se você diminuir o zoom de um gráfico a ponto dos candles ficarem tão pequenos que se pareçam com linhas grossas e, em seguida, mover o cursor do mouse em cruz verticalmente pela tela do seu computador, verá que, ao longo dos zigue-zagues que o preço faz, existirão regiões em que o preço toca e volta com certa frequência, como se houvesse uma espécie de repelente de candle naquele lugar.

Você notará também que existirão regiões fáceis de ultrapassar e outras bem mais difíceis. É o caso daquela resistência ou suporte onde o preço bate uma vez, volta, e quando chega ali novamente, ultrapassa sem apresentar dificuldades.

Outras, contudo, se mostrarão mais difíceis de serem ultrapassadas e, todas as vezes que o preço passa por ali, ele acaba voltando.

Há momentos em que o preço fica "preso" entre um suporte e uma resistência, dando origem àquilo que denominamos congestão.

Se do ponto de vista conceitual suportes e resistências são regiões de preço em que o players mudam de ideia, ou seja, compradores perdem força e desistem de insistir na subida ou, em uma tendência de baixa, vendedores desistem de vender, dando lugar à força dos compradores, do ponto de vista estritamente prático, a informação é bastante clara: o preço sobe (ou desce) até um ponto e volta para o lugar de onde veio.

Suportes e resistências apresentam uma característica bastante interessante: uma vez ultrapassados, transformam-se em sua função oposta, ou seja, depois que um suporte é rompido e ultrapassado (para baixo), ele passa a funcionar como uma resistência. E, depois que uma resistência é rompida e ultrapassada (para cima), ela passa a funcionar como um suporte.

Isso significa que suportes e resistências sempre oferecem ótimas oportunidades para realizarmos operações lucrativas.

Nem só de preço vive um suporte

E tampouco uma resistência vive só de preço. É possível anteciparmos regiões de suportes e resistências através da ferramenta de Fibonacci.

Preços em tendência, como você já viu, andam em zigue-zague. Traduzindo esse movimento para um linguajar mais técnico, o preço se movimenta fazendo uma perna de tendência seguida por uma perna de correção, ou seja, o preço vai para cima e desce um pouquinho antes de continuar sua jornada rumo ao alto. Dizemos que o preço desenha, no gráfico, topos e fundos ascendentes.

Em mercados baixistas, embora o preço desça, o princípio é o mesmo: perna de tendência (agora para baixo), seguida de uma pequena perna de correção (para cima), antes do preço seguir sua jornada rumo às regiões abissais do preço. Dizemos que o preço desenha, no gráfico, topos e fundos descendentes.

Essa pequena volta ou, como vimos, correção, na maioria das vezes, pode ser medida pela ferramenta de retração de Fibonacci. Se você fizer testes em seu gráfico, verá que a maioria das correções situa-se na região que fica entre 50% e 61,8% de Fibonacci.

Se o preço estava indo em uma direção e volta para corrigir parando nesses níveis de Fibo (ok, já estamos íntimos, podemos chamá-lo apenas de Fibo), então eles poderão servir como regiões de suporte e resistência que apresentam, como se pode verificar nos gráficos, alto índice de acerto.

Há traders conhecidos no mercado que vivem exclusivamente de operar suportes e resistências. Estatisticamente, a maioria dos rompimentos falha. Um bom suporte ou uma boa resistência resistirão a, no mínimo, dois toques antes de serem rompidos.

Mas uma vez ultrapassados aqueles níveis por duas ou mais vezes, eles já não podem mais ser considerados suportes e resistências confiáveis e, nesses casos, é preferível não os operar mais.