Na aula anterior, resumimos a história da criptomoeda pai — ou como encontramos em blogs e fóruns, a moeda Rei — Bitcoin. Mas os atributos e discussões sobre dinheiro digital já existiam décadas antes da criação de Nakamoto.

O pioneiro desta evolução foi David Chaum, que em 1983 desenvolveu a primeira aplicação digital do dinheiro chamada eCash e anos mais tarde trouxe sua nova empresa, DigiCash. Ambos modelos falharam, mas abriram as portas para o desenvolvimento e aprimoramento das ideias acerca das criptomoedas.

Mas, afinal, por que só o Bitcoin “emplacou”?

O paper desenvolvido por Satoshi fomentava a criação de uma rede p2p (Peer to Peer), que via mecanismos de validação dentro de uma blockchain que prometia descentralizar, gerar confiança e excluir o processo de Gasto Duplo.

No nosso sistema bancário atual, assim como as empresas de David Chaum, há um centralizador que irá validar as transações entre indivíduos, tornando o processo custoso e não democrático.

O papel dos intermediários bancários é de “movimentar” seu dinheiro para outra pessoa, para que você não utilize mais de uma vez o mesmo dinheiro. Dentro dos componentes adotados pela blockchain do Bitcoin foi possível descentralizar o trabalho dos bancos, atribuindo a confiança do sistema aos nodes¹ e mineradores² da rede.  

Mas, afinal, o que é blockchain?

A tradução para “blockchain” é “cadeia de blocos”, e, na prática, ele é como um caderno de registros, onde todos os blocos de Bitcoin minerados ficam registrados para sempre, desde o início da moeda — inclusive, é graças a ele que podemos ver as possíveis transações de Satoshi, que mostram que ele pode ser uma das pessoas mais ricas do mundo.

Porém, a identidade do operador sempre é preservada, pois somente códigos ficam à disposição da consulta, e como o Bitcoin é protegido por criptografia, será muito difícil descobrir algo na blockchain.

Funciona mais ou menos assim: eu faço uma transação para um amigo, o que gera uma peça (vamos chamar assim o código que identifica que eu fiz essa transação).

Uma vez que essa peça é validada pelo sistema, isto é, uma vez que o sistema identificou que está tudo dentro das normas e não há tentativas de fraude, a peça será integrada às peças de outros operadores, formando um bloco.

Esse bloco fica registrado no blockchain e ganha um código. No entanto, quando ele entra no blockchain, ele entra depois de outro bloco, e pega uma parte do código desse bloco anterior para criar o seu próprio código.

Dessa forma, se alguém tentar burlar as regras em um bloco, o código ficará alterado e veremos que ele não possui o código correto de acordo com o bloco anterior. Seria mais ou menos como a imagem abaixo:

Uma vez que as transações são confirmadas, nunca mais poderão ser alteradas, pois isso iniciaria um erro em cadeia e o sistema provavelmente travaria.

É por isso que o Bitcoin é considerado tão seguro, pois além de reservar sua identidade, impede que suas moedas sejam roubadas, mesmo durante uma transação, e você ainda pode conferir o registro.

Pode ser que o tempo para uma transação ser realizada demore bastante (como vimos, há um limite para cada bloco minerado), porém, uma vez que foi dada a ordem, ela não pode ser desfeita.

Todos os dias, bilhões de reais são movimentados em criptomoedas, e tudo isso acontece anonimamente e, aparentemente, de forma muito segura.

¹ Nodes (nós) da rede: são indivíduos responsáveis pela conexão entre pontos da rede, realizando o trabalho de comunicar as transações geradas para a rede da blockchain. Desta forma, os nodes (nós) da rede trabalham para garantir a confiabilidade da rede. Caso um node tente agir de má fé, transmitindo uma informação errada, ele será banido da rede.  

² Mineradores: também são nós da rede e possuem a função de organizar e padronizar as transações realizadas por dentro das blockchains, podendo ser individuais ou Mining Pools (piscinas de mineração). Suas funções principais são de validar as transações realizadas na rede da criptomoedas e alocar isso em forma de blocos, criando uma cadeia de blocos (blockchain).  Para que esse trabalho seja feito, os mineradores competem entre si para atingirem a formação dos blocos. Eles são remunerados justamente para isso. Esse trabalho consiste em realizar cálculos extremamente complexos dentro de um ambiente de criptografia chamado de SHA256 (Secure Hash Algorithm). Quando o cálculo é validado, ele é registrado e pode ser analisado pelos outros nodes.


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Publicação: 29/11/2021 10:30
Atualização: 29/11/2021 18:59