Nesta primeira aula, vamos entender melhor o que são as criptomoedas. Mas, para isso, precisamos primeiro compreender o que é uma moeda. Então, vamos voltar um pouco no tempo para definirmos alguns conceitos.

Foram os nômades que deram início aos primeiros conceitos de moedas da história. A troca de objetos pontiagudos entre comunidades é datada como a primeira aparição de um artefato que servia como base de troca de bens.  

A partir do crescimento das comunidades e do início do plantio, o escambo entre indivíduos começou a ser desenvolvido e, conforme crescia sua popularidade, foi necessário estabelecer um controle maior sobre ele. Assim, iniciou-se a noção de Débito e Crédito. 

Grandes comunidades precisaram, então, se adequar para controlar quem devia para quem. Sendo assim, foram adotadas de formas distintas, em diversos locais do mundo, objetos (em geral escassos) que foram considerados moedas de troca entre devedores e credores, feito chifres, sal e ossos de baleias.  

Conforme a evolução dos poderes foi crescendo e o intercâmbio entre nações iniciou-se, já não era mais viável a troca de bens com objetos distintos, de difícil movimentação e pouco divisíveis.

Foi então que os reis, em busca de uma espécie de validação para seus poderes, criaram as primeiras moedas de metais. Assim, concatenou-se, em um único ativo, a legitimidade, a dificuldade de forja, a durabilidade, a portabilidade e, o mais importante, a divisibilidade.

Durante as primeiras expansões comerciais chinesas, as nações já não podiam mais carregar montantes pesados de ouro para as rotas exteriores. Desta forma, surgiram os primeiros relatos do paper money (papel moeda), que surgiu basicamente como um contrato de dívida para a troca de bens, apoiado principalmente no pilar da confiança (e muitas vezes da ameaça).

Esse modelo se apoiou fortemente no ouro até os anos 70. Utilizar ouro para compor o lastro significava que, para a impressão do Papel Moeda, as nações deveriam possuir em ouro a mesma quantidade que fosse ser impressa.

Muitas nações iniciaram o processo de abandono ao padrão ouro após a primeira guerra mundial, levando a divergências entre economistas sobre a crise de 1929. Futuramente, em 1971, ocorreu a retirada do padrão ouro pelo presidente Nixon nos EUA, após uma longa investida francesa liderada pelo então presidente Charles de Gaulle, que requisitou a troca dos dólares no montante em barras de ouro dos cofres americanos, iniciando a crise que afetou a economia americana nos anos 70.

Tudo isso nos fechar ao momento atual, em que o mundo convive com duas espécies de dinheiro:

  1. Aquele gerado pelos mecanismos dos bancos centrais, que podem controlar ou agravar inflação de preços, e 
  2. O dinheiro bancário, conhecido como a oferta e demanda de crédito que os bancos emitem. 

Ao requisitar um empréstimo no banco, o indivíduo em questão deixa uma garantia, forjando a base de confiança de que ele irá retornar o dinheiro ao banco com os juros dispostos no contrato. Já a impressão de dinheiro recorrente dos bancos centrais não possui, de fato, uma garantia, além de sua emissão de dívida. 

Como bem vimos em 2008, nos EUA, o resgate efetuado via cofres públicos aos bancos que decretaram falência deixou claro que o interesse dos políticos e governantes nem sempre é a nação que os elegeu.

Esse foi o estopim para a criação da primeira moeda criptografada e digital do mundo, nosso famoso Bitcoin, que nasceu via um fórum de discussão online por um usuário conhecido como Satoshi Nakamoto. 

Em seu White-Paper, Satoshi publicou que havia encontrado uma forma de criação de uma moeda mundial, descentralizada, à prova de inflação e que traria confiança a partir de um sistema de Blockchain. 

O fórum discutiu e atraiu curiosos e especialistas que fomentaram as ideias de Nakamoto, até que fosse realizada a primeira transação de Bitcoin da história, em 2010.  


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Publicação: 29/11/2021 10:30
Atualização: 29/11/2021 18:51