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Análise Fundamentalista: Aprenda de forma simplificada

A Análise Fundamentalista é uma ferramenta muito importante para a tomada de decisão do investidor. Entenda a diferença para a Análise Técnica e os principais indicadores na visão do economista Augusto Andréa.

Trader Profissional Mai 05, 2021

Neste artigo vamos trazer os principais pontos que a análise fundamentalista pode contribuir para a tomada de decisão do investidor.

Além do conceito, vamos tratar das diferenças com a análise técnica, das abordagens fundamentalistas e trazer os principais indicadores de múltiplos utilizados.

Além disso, vamos observar os indicadores econômicos mais importantes e que mais influenciam no dia-a-dia no preço das ações.

Assim, unindo indicadores fundamentalistas com indicadores econômicos, vai ser possível interpretar os riscos, vantagens e desvantagens e avaliar se vale a pena investir através desta técnica.

Aprenda a utilizar a Análise Fundamentalista!
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O Que é uma Análise Fundamentalista?

Análise fundamentalista vai ser o estudo da capacidade financeira de uma empresa e suas perspectivas.

Sem deixar de fora o contexto em que esta companhia se encontra dentro do seu setor e do ambiente macroeconômico. Dessa forma é possível medir se uma ação está barata para ser comprada.

Observe então que a análise fundamentalista vai levar em consideração alguns aspectos para a melhor tomada de decisão:

  • análise da empresa
  • análise do setor da empresa
  • análise da econômica do ambiente em que a empresa está inserida

Claro que cada um destes tópicos pode ser extremamente profundo, mas também é possível fazer uma análise simplificada utilizando alguns indicadores que podem te dar um norte em relação a cada um dos pontos colocados.

Ao final, a ideia é que a análise fundamentalista seja capaz de responder ao investidor se uma ação está atrativa para comprar ou não.

Através desta ferramenta é possível buscar um determinado “preço justo” para a ação, mas também fazer uma análise de atratividade.

Como funciona a Análise de Fundamentos?

Dentro da análise de fundamentos é possível utilizarmos instrumentos para avaliar a empresa, o setor da empresa e o cenário econômico.

Estes instrumentos vão buscar responder se a empresa tem bons fundamentos, qual horizonte de investimentos da empresa, se o preço de sua ação está atrativo perante outras empresas do seu setor e como o setor se encontra dentro das perspectivas de crescimento da economia em que atua.

Para quem é indicado a Análise fundamentalista?

A análise fundamentalista é indicada para quem tem paciência, em primeiro lugar. Isso é importante ser dito, pois os fundamentos de uma empresa são atualizados de modo geral a cada 3 meses, através do resultado trimestral.

Assim, é possível que novas informações só possam ser trabalhadas trimestralmente.

Outro ponto importante a ser dito é que o trader fundamentalista está em busca do valor real de uma empresa no longo prazo.

Eu digo a longo prazo, pois este tipo de análise trabalha com as perspectivas de crescimento futuras, além dos balancetes atuais.

Como o viés de longo prazo é mais evidente neste tipo de análise, os investidores costumam ficar por tempos longos nas suas posições, dada a ideia de serem sócios da empresa e não somente especuladores.

Como a análise ajuda na tomada de decisão dos investidores?

Dado que através da análise fundamentalista vai ser possível medir a atratividade da empresa, a ajuda na tomada de decisão é total.

Análise Fundamentalista é uma ferramenta importante na tomada de decisão do investidor
Análise Fundamentalista é uma ferramenta importante na tomada de decisão do investidor

É possível que o investidor só utilize fundamentos para fazer uma compra de uma ação, por exemplo. Então esta é uma análise que pode ser utilizada sozinha.

Quanto mais objetiva for a análise, mais fácil será a tomada de decisão para o investidor que está nos primórdios do aprendizado.

Então buscar gatilhos com pouca subjetividade é um primeiro passo.

Conheça a etapa inteiramente dedicada à Análise Fundamentalista do Plano TNT

Ao longo do tempo, com aprofundamento da análise fundamentalista, o investidor vai ver que ela pode ser tão complexa quanto possível, fazendo com que o mesmo tenha que evitar sempre a subjetividade para facilitar a sua tomada de decisão.

Diferenças entre Análise Fundamentalista x Análise Técnica

É bem possível que você já tenha escutado falar sobre a Análise Técnica, aliás vários artigos do Blog do Portal do Trader falam sobre o assunto.

Leia também sobre:

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Essas duas análises são as principais abordagens utilizadas pelo investidor para sua tomada de decisão.

Apesar de serem análises que possam se complementar, existe muita gente que fica rivalizando entre as duas, como se houvesse possibilidade de se utilizar somente uma delas para se tirar boas decisões de investimentos.

Por exemplo, uma possibilidade de se aliar as duas análises é filtrar as ações que estejam com boas perspectivas de crescimento no longo prazo através da análise fundamentalista, mas escolher o melhor momento para se entrar na ação através da análise técnica.

Claro que se você está fazendo uma operação extremamente curta, um Day Trade por exemplo, é muito provável que a análise fundamentalista não esteja sendo a ferramenta utilizada.

Vamos as principais diferenças:


Análise Fundamentalista

Análise Técnica

Período Mínimo da Análise

3 meses, dado que é quando saem os balanços trimestrais que trazem novas informações econômicas acerca das empresas.

O mínimo que um gráfico pode ser lido. Algumas pessoas analisam no tempo gráfico de 1 minuto!

Horizonte de Investimento

Tende a prazos maiores que 3 meses, dado o período mínimo para análise.

Pode ser tão rápida quanto um day trade.

Tomada de Decisão

Baseada em análise de ciclos econômicos, setorial, do balanço da empresa, perspectiva de crescimento e busca de “valor justo” do preço da ação.

Baseada no gráfico do ativo.

Objetivo

Tendência à sociedade. Busca por empresas para ficar um bom tempo e que possuam resultados confiáveis.

Tendência à especulação.

Diferenças entre Análise Quantitativa x Análise Qualitativa

Antes de tudo vamos entender a definição destes dois tipos de análise:

Na análise quantitativa, estaremos falando em análise de números, e em tudo que podemos medir através destes números.

Na análise qualitativa estaremos medindo as coisas mais subjetivas da empresa, que não são possíveis de verificar somente através dos números.

Aqui o desafio é maior para se analisar a empresa. Neste caso, estar bem informado sobre os fatos relevantes é crucial.

Na quantitativa, falaremos de múltiplos das empresas, de crescimento de receitas, de demonstrativos de resultado, de crescimento do setor e da economia que a empresa se encontra, etc.

Na qualitativa, estaremos medindo governança corporativa, marca, capacidade do CEO de transformar a equipe e de trazer resultados de longo prazo, etc.

Veja que as duas análises estão inseridas na análise fundamentalista e ambas têm capacidade de influenciar o resultado da empresa no longo prazo.

Quais são as abordagens da Análise Fundamentalista?

Como comentamos anteriormente, este tipo de análise leva em conta a empresa, o setor que ela se encontra e ciclo econômico ou economia em que está inserida.

Mas é aqui neste tópico que vale comentarmos quais os caminhos para se processar o método.

Não existe uma forma certa ou errada de se fazer este processo. É uma questão de preferência do analista.

Top Down

Top Down é o que chamamos de análise de “cima para baixo”.

Isso quer dizer que o primeiro ponto a ser analisado é o ponto mais externo, ou seja, o ambiente macroeconômico que a empresa está inserida até o ambiente mais micro.

Desta forma temos o seguinte caminho:

Ambiente Macroeconômico

> Setor que a empresa se encontra

> Análise da Empresa

PIB

> Competitividade do Setor

> Demonstrativo de resultado

Inflação

> Tamanho

> Balanço

Taxa de Juros

> Tecnologia empregada

> Múltiplos

Observe que inflação, PIB, juros e câmbio são analisados antes do balancete da empresa.

Bottom Up

Bottom Up é o que chamamos de análise de “baixo para cima”.

Isso quer dizer que o primeiro ponto a ser analisado é interno, ou seja, o ambiente micro vem antes do ambiente macro.

O caminho é o contrário do Top Down:

Análise da Empresa

> Setor que a empresa se encontra

> Ambiente Macroeconômico

Demonstrativo de Resultado

> Competitividade do Setor

> PIB

Balanço

> Tamanho do Setor

> Inflação

Múltiplos

> Tecnologia empregada

> Taxa de Juros

E veja que os números da empresa vão ser analisados antes dos números macro.

Conheça os principais indicadores da Análise Fundamentalista

Dentro da análise fundamentalista, existem formas de se buscar entender o preço das ações, o seu preço justo e a percepção de valorização/desvalorização de uma empresa.

Uma delas é a análise de múltiplos.

Uma grande vantagem dessa abordagem é a simplicidade de entender e a facilidade de se conseguir ter acesso aos dados.

Apesar da possibilidade de se analisar todas as ações com as mesmas métricas, essa abordagem ganha potência quando comparamos empresas de um mesmo setor sob as mesmas métricas.

Vamos abordar alguns dos principais múltiplos utilizados para tomada de decisão.

PL (Preço/Lucro)

Este é um dos múltiplos mais simples e compreendidos pelas pessoas. É comum vermos argumentos a favor de utilizar este múltiplo para classificar se uma empresa é cara ou barata.

P/L é o preço da ação pelo lucro da ação. De certa forma, seria uma forma de calcular em quantos anos a ação retornaria o dinheiro investido caso a empresa tivesse o mesmo lucro dos últimos 12 meses.

Como calcular o P/L:  (preço da ação no momento atual) / lucro líquido da empresa nos últimos 12 meses por ação.

Vale lembrar que só esse filtro poderia não ser suficiente para ter uma boa análise da empresa, principalmente porque estamos medindo dados do passado (olhamos os 12 meses de lucro que passou).

Exemplo: é possível que uma empresa tenha tido lucros excelentes nos últimos 12 meses, e o seu P/L atual aparenta ser atrativo, com um número abaixo de 10, por exemplo.

No entanto, em uma segunda análise, espera-se que a empresa tenha prejuízo nos próximos 12 meses ou um lucro bem abaixo do que passou.

Ou seja, o P/L abaixo de 10 poderia estar "enganando" a análise.

P/VPA (Preço / Valor Patrimonial)

Assim como o P/L, podemos dizer que este é um dos múltiplos mais simples. P/L e P/VP são sempre os mais citados!

P/VP é o preço da ação dividido pelo valor patrimonial por ação.

De certa maneira, este indicador informa quanto o mercado está disposto a pagar sobre o patrimônio líquido da empresa.

Como calcular o P/VP: (preço da ação no momento atual x quantidade de ações) / patrimônio líquido da empresa no último balanço patrimonial.

Como no caso do P/L e de todos os outros múltiplos, estamos lidando com dados no passado (já publicados) e não com expectativas à frente, então tome sempre muito cuidado com a possibilidade de P/VP estar "enganando".

DY (Dividend Yield)

Dividend Yield é um múltiplo fundamental para quem busca empresas pagadoras de dividendos.

Geralmente, as empresas que possuem DIvidend Yield alto já são consolidadas, não tem muito mais investimentos para fazer, e dessa forma, costumam distribuir a maior parte do seus resultados.

Os setores mais comumente lembrados são bancos e energia elétrica.

Dividend Yield é o dividendo pago por ação dividido pelo preço da ação.

Como calcular o Dividend Yield: pagamento de todos os eventos de dividendos nos últimos 12 meses por ação / preço da ação.

Ebitda

Ebitda é uma sigla em inglês que significa Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization, que nada mais é do que Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, também chamado de Lajida.

Este indicador é importante porque ele representa o resultado que a empresa teve num determinado período.

Quando se retira juros, impostos, depreciação e amortização, conseguimos ter um resultado mais limpo, evidenciando o resultado operacional da companhia.

Uma métrica muito utilizada com o Ebitda é o EV/Ebitda, que tem uma interpretação muito próxima do múltiplo P/L.

Geralmente, quando se faz uma análise por múltiplos, coloca-se um ou outro, pois podem dar informações muito parecidas.

Ainda assim, o EV/EBITDA acaba sendo mais completo, pois consegue entregar um número mais justo para comparação entre empresas de setores diferentes.

Isso acontece, pois o EV/EBITDA entrega um número que normaliza as estruturas de capital e tributação, além de eliminar os efeitos que não afetam o caixa da companhia.

E para quem gosta de comparar empresas nacionais e internacionais, este certamente é um múltiplo que pode ser utilizado.

EV/EBITDA é o valor da firma (valor de mercado + dívida líquida) dividido pelo EBITDA (resultado operacional da empresa, sem deduzir juros, impostos, depreciação e amortização).

Como calcular o EV/EBITDA: (preço da ação no momento atual x quantidade de ações + dívida líquida) / EBITDA.

ROIC (Retorno sobre Capital Investido)

Este múltiplo vai medir a capacidade de retorno de uma empresa sobre o capital investido.

Vai trazer informações bem relevantes sobre a capacidade de a empresa ter bons retornos dos investimentos feitos ou não.

ROIC é o EBIT subtraído de impostos, dividido pelo patrimônio líquido mais endividamento.

Como calcular o ROIC = (EBIT - impostos) / (patrimônio líquido + endividamento).

Análise Fundamentalista e os indicadores econômicos

Nessa altura do artigo já sabemos que os indicadores econômicos vão ser relevantes para a análise fundamentalista, principalmente para a análise macroeconômica em que a empresa está inserida.

Neste sentido, vamos colocar os indicadores econômicos e os principais relatórios esperados no mercado financeiro, e que vão ajudar na visualização da economia de forma mais objetiva.

Decisões do Fed (FOMC)

O Fed é o Banco Central Americano. É uma instituição que tem um mandato duplo para economia americana: meta de inflação e de crescimento.

Isso quer dizer que ele tem que zelar pela manutenção de uma inflação baixa, sem esquecer o crescimento da economia.

As decisões do FED (FOMC) são alguns dos eventos econômicos mais importantes do mercado
As decisões do FED (FOMC) são alguns dos eventos econômicos mais importantes do mercado

Como o Fed é o Banco Central da maior economia do mundo, qualquer decisão que ele tome acaba afetando todos os outros países.

Por conta disso é muito importante saber o que está acontecendo com a economia americana e como as decisões de política monetária adotadas por lá podem respingar na economia brasileira.

Uma das principais decisões são as reuniões do FOMC, que é quando os diretores do Fed decidem qual vai ser a taxa básica de juros a ser perseguida na economia americana.

Por que isso é importante acompanhar?

Qualquer que seja a decisão sobre a taxa de juros americana, ela irá nos atingir. Seja uma subida ou uma descida da mesma.

Por exemplo: com a subida da taxa de juros americana, a diferença entre o juros brasileiro e americano fica menor, diminuindo marginalmente o incentivo ao investimento nos juros brasileiros, o que pode acarretar numa saída de dólares.

O contrário também é válido: uma redução da taxa de juros básica americana aumenta a diferença entre o juros doméstico e o internacional, trazendo maior atratividade para o capital estrangeiro se rentabilizar aqui.

Claro que isto é só um exemplo e diversos outros fatores podem influenciar na entrada e saída de dólares. Mas se isolarmos todos os fatores, teremos que este é um movimento que pode influenciar bastante a cotação do dólar perante o real brasileiro.

Payroll

Este é o indicador que mede a folha de pagamentos não-agrícolas nos Estados Unidos. A grosso modo é um dos indicadores de emprego divulgados sempre na primeira sexta-feira do mês.

Além da quantidade bruta de empregos criados, a taxa de desemprego e o ganho médio por hora trabalhada são divulgados.

Por que isso é importante acompanhar?

A quantidade de empregos gerados e a taxa de desemprego são dados cruciais para ver se uma economia está aquecida ou não.

No caso, vale acompanhar a medida de emprego nos EUA porque como comentamos anteriormente, qualquer movimento na maior economia do mundo nos atinge direta ou indiretamente.

Com o mundo cada vez mais globalizado, se a economia americana estiver muito aquecida a tendência é que ela consiga influenciar positivamente outras economias em desenvolvimento.

O contrário também é válido, pois em momentos de recessão nos EUA é muito provável que o nosso PIB seja negativamente afetado.

IBC-Br

IBC-Br é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central. Ele começou a ser divulgado em 2010 e tem periodicidade mensal. Desde então é entendido como uma prévia do PIB (divulgado trimestralmente).

Ele é um indicador agregado de atividade econômica que consegue ter uma periodicidade menor que o PIB e que ajuda a ter uma ideia de como a economia brasileira está performando.

Claro que o resultado do PIB é muito mais completo que o IBC-Br, porém este último tem ajudado consideravelmente na análise dos cenários econômicos e no entendimento das políticas monetárias adotadas pelo Banco Central brasileiro.

IPCA

IPCA significa Índice de Preços ao Consumidor Amplo. É o índice mais relevante para medir a inflação ao consumidor da economia brasileira.

É de longe o principal indicador que os economistas têm na cabeça quando estão comentando sobre a inflação.

O Banco Central (BC) tem o mandato único de manutenção da inflação dentro da meta escolhida. Neste caso, ele está sempre de olho no IPCA.

Se o indicador começa a acelerar, o principal remédio utilizado pelo BC é a subida da taxa básica de juros (Selic).

Dessa forma a expectativa é que com o mecanismo de transmissão da política monetária diversos canais favoreçam para desaceleração da inflação.

Selic

É a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela baliza todos os juros praticados na economia.

Quanto maior for a taxa Selic, maiores tendem a ser os juros cobrado pelas diferentes modalidades de crédito.

E quanto mais alta for esta taxa, mais atrativo fica para os investidores pouparem o capital ao invés de gastar.

A Selic é o principal instrumento de controle utilizado pelo Banco Central para atingir a meta de inflação estipulada.

Se o governo sobe a taxa Selic, espera-se que haja uma queda na inflação entre 6-12 meses depois.

É uma taxa extremamente importante de ser acompanhada pois tem a capacidade de impactar diversos canais de transmissão, como por exemplo crédito e câmbio, que vão posteriormente impactar na inflação.

Como fazer uma Análise Fundamentalista?

Já vimos que uma análise fundamentalista tem vários fatores para serem levados em consideração e se o investidor não adotar um método ele vai acabar tornando o processo extremamente complexo e demorado.

1º Passo - Top Down ou Bottom Up

Já sabemos que a análise fundamentalista vai levar em consideração o ambiente macro, a análise setorial e a análise da empresa, mas temos que colocar uma ordem de organização.

Como visto anteriormente, duas possibilidades vão existir: ou uma análise Top Down (ambiente macro > Análise do Setor > Análise da Empresa) ou Bottom Up (Análise da Empresa > Análise Setorial > Ambiente macro)

Não tem uma forma certa, é uma questão de preferência.

O ideal é que você siga uma das duas formas e não tente misturar as duas. Se seguir um dos processos, já vai começar bem!

2º Passo - Decisões Objetivas

Tente tornar suas decisões mais objetivas.

Exemplos de um movimento Bottom Up:

  • Análise da Empresa: Gostou > Análise Setorial: Setor em Crescimento / Gostou > Análise Macro: Ambiente Propício > INVESTIR
  • Análise da Empresa: Não gostou > NÃO INVESTIR
  • Análise da Empresa: Gostou > Análise Setorial: Setor encolhendo / Não gostou > NÃO INVESTIR
  • Análise da Empresa: Gostou > Análise Setorial: Setor em Crescimento/ Gostou > Análise Macro: Situação ruim > NÃO INVESTIR

Claro que esta é uma forma muito simplista. Podem existir casos em que você gosta da empresa e do setor que ela está inserida, mas está em dúvida quanto ao ambiente macroeconômico

Nestes casos você pode investir um percentual menor do que se estivesse extremamente confiante.

3º Passo - Diversifique a Carteira e Revise periodicamente

O ideal é que você encontre algumas empresas que atendam seus critérios de seleção e não coloque todo investimento em somente uma ou duas empresas. É super importante diversificar!

Busque ter pelo menos 10 ativos em carteira para que você tenha uma diversificação mínima.

E tente ter um valor próximo em cada uma das ações. Não adianta você ter 10 papéis, mas 95% do dinheiro estar em somente um! Isso não é diversificação!

Sempre busque revisar a sua carteira de tempos em tempos. Pelo menos uma vez no ano. O que antes era atrativo pode não ser mais.

Analisar uma vez e esquecer não é o ideal, pois vários parâmetros podem mudar ao longo do tempo.

Vantagens da Análise Fundamentalista

Abrangente e completa

A análise fundamentalista por trazer vários aspectos a serem estudados torna ela abrangente e completa, fazendo com que haja uma robustez e segurança para o investidor na hora de investir o seu capital.

Pode ser simples ou profunda

A análise fundamentalista traz a possibilidade de ser simples num primeiro momento e ao longo do tempo se tornar mais profunda.

Isso é super interessante pois ela possibilita sempre novas possibilidades para quem se torna um estudioso da área.

Busca por ações relativamente baratas

Uma outra vantagem é que o investidor pode encontrar ações que estejam relativamente “baratas” para se comprar, aproveitando uma grande oportunidade de investimento.

E o seu horizonte acaba sendo de longo prazo porque é possível que aquela ação “barata” só seja descoberta pelo mercado e venha a valorizar um bom tempo depois.

Riscos da Análise Fundamentalista

Quando estamos falando de renda variável sempre vamos ter riscos envolvidos de se perder o valor investido.

E é importante que o investidor parta do pressuposto que ele não vai acertar todas as análises que ele fizer.

Se apegar apenas a uma ação

O risco mais evidente é um investidor se apegar a somente uma ação e acabar não vendo os pontos negativos da empresa e os motivos de suas ações não valorizarem.

Mas se ele diversificar os papéis e seguir uma tomada de decisão com método bem desenvolvido, esse risco diminui consideravelmente.

Não esperar tempo suficiente para os resultados

Outro risco que pode existir é de o investidor acreditar que com esta análise ele pode ter resultados positivos sucessivos em tempos curtos.

É muito importante que o investidor entenda que esta análise pode demorar a dar retorno. Ou seja, se for uma pessoa muito impaciente este tipo de análise pode não ser a indicada para você.

Principais Livros e Cursos sobre análise fundamentalista

Livros

Existem alguns livros excelentes para se aprofundar na análise fundamentalista, entre eles o INVESTIDOR INTELIGENTE, de Benjamin Graham. Este é o meu preferido!

Livro O Investidor Inteligente de Benjamin Graham
Livro O Investidor Inteligente de Benjamin Graham

Existem ainda outras ótimas opções de leitura:

  • Avaliação de Investimentos, de Aswath Damodaran
Aswath Damodaran
Aswath Damodaran
  • Jeito Peter Lynch de Investir, do próprio peter Lynch
Peter Lynch
Peter Lynch
  • Jeito Warren Buffett de Investir, de Robert Hagstrom
Warren Buffett

Cursos

Dentro do Portal do Trader existe o treinamento completo PLANO TNT, em que vários tipos de técnicas e análises são ensinadas para ajudar o trader a tomar melhores decisões de investimento. Entre os diversos tópicos tem um bem completo só sobre Análise Fundamentalista!

Conclusão: Análise fundamentalista vale a pena?

Com certeza! Se o investidor está em busca de um método que analisa fundamentos de uma empresa dentro do contexto que ela está inserida e busca retornos de longo prazo, esta certamente é uma análise a ser considerada!

O potencial que a renda variável possui é gigantesco, pois a rentabilidade almejada tem capacidade de ser muitas vezes superior àquela alcançada com renda fixa.

Claro que existem riscos a serem considerados, mas vai ser através de uma capacidade de análise que o investidor vai conseguir ter segurança para fazer as escolhas que podem ser transformadoras para multiplicação de capital.

E certamente a análise fundamentalista é uma das opções que mais fazem sentido para isso.

Lembre-se: juros compostos é uma das maravilhas da humanidade.

Estude, analise e faça valer o aprendizado para tomar as melhores decisões para sua carteira de investimentos.

Até o próximo post!

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Augusto Andrea

Augusto Andrea é economista especializado em macroeconomia, ciclos e ativos de renda fixa.

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Espero que você aprenda com esse artigo.

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