Arroz à luz de velas

Durante o Japão feudal, após um período de muitas guerras e disputas por territórios, a situação começou a se acalmar, trazendo estabilidade política e econômica ao país. Isso propiciou o início de um período de grande crescimento econômico, levando os mercados a se estenderem em direção a uma escala nacional.

No final dos anos 1600, surgiu a primeira Bolsa de arroz do Japão, chamada DRE – Dojima Rice Exchange (sigla do nome em inglês). Como se sabe, o arroz sempre foi a base alimentar do povo japonês e, por essa razão, um produto intensamente comercializado. Isso levou à necessidade da criação de um centro de comércio de arroz para poder dar liquidez ao mercado e uniformidade aos preços.

Nascido em 1724, Munehisa Homma, que mais tarde se tornaria referência nacional no comércio de arroz, desenvolveu uma extensa teoria sobre o comportamento dos preços daquele produto, baseado em informações históricas que levavam em conta, entre outros fatores, as condições do clima e sua influência sobre os preços do arroz. Ele mantinha ainda um registro histórico de suas próprias negociações. Sua grande capacidade de observação, o fez perceber que o mercado se comportava de forma repetitiva e que era possível identificar padrões para esse comportamento.

Inspirado pela iluminação das salas japonesas, que utilizavam candelabros com velas, o Sr. Homma criou aquilo que hoje nós conhecemos como candlestick (literalmente, “candelabro” em inglês). Utilizou-se então da imagem das velas e seus pavios para representar graficamente a dinâmica dos preços durante os dias de negociação.

Steve Nison, um atuante investidor de Wall Street, foi um dos responsáveis pela popularização da novidade. Ao descobrir esse novo jeito de anotar os preços no gráfico, Nison escreveu livros traduzindo a técnica para termos ocidentais.

O mercado, obviamente, gostou e adotou rapidamente a novidade. Afinal, um candle traz muitas informações sobre um determinado período de negociações e o faz de forma visualmente fácil de identificar.

Nele, é possível identificar os preços de abertura, máxima, mínima e fechamento de qualquer período de negociações que se queira estudar. Sua cor ajuda a sabermos se aquele período resultou em uma alta (candle de cor verde ou branca) ou de baixa de preços (candle de cor vermelha ou preta).

Portanto, um candle representa graficamente uma disputa entre compradores (que querem que o preço suba) e vendedores (que querem que os preços caiam). O corpo do candle marca os preços de abertura e fechamento do período de negociação, e os pavios (que são aquelas linhas de tamanho variável que podem aparecer acima ou abaixo do corpo do candle) marcam os valores máximos (na parte de cima) e mínimos (na parte de baixo) atingidos durante o período de negociações.

candlestick